Extremistas de véu nos olhos passam pano para as escolhas dos Bolsonaro e chamam de traidores quem concorda com eles; a lógica, obviamente, não existe

Existe uma ala do bolsonarismo que merece um diagnóstico clínico antes de qualquer debate político. São os chamados “bolsonaristas do CAPS” — aqueles que ignoram solenemente as movimentações da própria família Bolsonaro, passam pano para qualquer decisão dela e, em vez de questionarem os protagonistas, saem atacando aliados que simplesmente concordam com o que a família já sinalizou.
O episódio envolvendo Nikolas Ferreira (PL-MG) é o exemplo mais recente dessa esquizofrenia política. O deputado defendeu uma possível chapa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para 2026, afirmando que “Bolsozema daria muito certo.” A reação de parte da base foi imediata — e completamente desconectada da realidade.
“O povo não aceita essa sua traição”, escreveu um perfil. Outro foi além, comparando Nikolas a Joice Hasselmann e prometendo “expor os insetos” do movimento.
Mas calma. Onde está a traição, exatamente?
O próprio Flávio Bolsonaro já cogitou Zema como vice. Não foi Nikolas quem inventou a chapa — ele apenas concordou com uma possibilidade que a família já ventila nos bastidores. Se há alguém a ser questionado pela escolha, esse alguém é Flávio. Mas os “bolsonaristas do CAPS” não atacam Flávio. Atacam quem apoia Flávio. A lógica, obviamente, não existe.
Nikolas Ferreira não precisa de defesa — seus números falam por si. É o político mais votado da história do Brasil, referência incontestável da direita nacional e uma das vozes mais qualificadas do campo conservador. Sua avaliação sobre Zema não é traição: é análise política séria de quem entende de eleição.
E Zema? É um nome sólido. Governou Minas Gerais por dois mandatos com responsabilidade fiscal, enfrentou o establishment e construiu uma imagem de gestor competente e alinhado aos valores da direita. Uma chapa Flávio-Zema não é aberração — é uma composição com potencial real.
O que os extremistas de véu nos olhos precisam entender é simples: quando Flávio Bolsonaro bater o martelo, todos vão ter que aceitar. E quem hoje ataca aliados por concordarem com a família vai ter que engolir a própria narrativa de “traição” — em silêncio.





