Programa Porta-Vozes de Lula organiza máquina digital para fabricar narrativas pró-governo e contra bolsonaristas

Durante um evento do PT em Brasília, na terça-feira (9), para lançar o programa Porta-Vozes do Lula, o deputado federal André Janones (Rede-MG) escancarou a lógica da comunicação petista nas redes: “Antes, eu dizia que valia quase tudo. Eu mudei o meu discurso nesses quatro anos. Hoje, vale tudo para salvar a democracia”.
O encontro contou com a presença do presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, e teve como objetivo recrutar militantes para difundir conteúdos pró-governo e contra apoiadores de Jair Bolsonaro. O próprio Janones admitiu o “baixo nível” da estratégia: “Eu estou me lixando de falar que é de baixo nível. Eu sei o que está em jogo; o que está em jogo é a democracia do nosso país”.
Na prática, a orientação é clara: não responder aos temas que a direita coloca em pauta, criar outra narrativa e “mudar o assunto”. Entre as instruções, Janones falou em não rebater diretamente as críticas e em “criar versão dos fatos”. Para tentar driblar a acusação de mentir, acrescentou: “Desviar o foco não é mentir não, é você contar uma outra história”.
Ele citou como exemplo a campanha de 2022, quando impulsionou a ideia de que Jair Bolsonaro poderia nomear Fernando Collor para um ministério, usando imagens dos dois juntos: abriu live com tom de urgência, explorando o tema para deslocar o debate, mesmo sem qualquer indicação real de que isso estivesse na mesa. Janones resumiu a lógica: “Razão não ganha eleição, nunca ganhou e nunca ganhará. (…) Isso não ganha eleição”.
O programa Porta-Vozes de Lula vai organizar apoiadores em um site, com cadastro para participar de grupos virtuais encarregados de “missões”: disparar vídeos, cards, memes e “kits de mobilização” com conteúdo pró-Lula e ataques à oposição. A ideia, segundo Edinho, é “representar Lula nas redes sociais” onde o presidente não consegue estar fisicamente.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu que “as redes digitais (…) é um ponto em que eles ainda estão na nossa frente”, referindo-se à direita, e falou em melhorar a “organização digital” da esquerda. Com o próprio Janones defendendo que “vale tudo” e ensinando como criar versões convenientes dos fatos, o evento deixou explícito que o PT não está buscando debate honesto, mas sim uma máquina profissional de manipulação narrativa para tentar compensar a rejeição crescente do governo nas redes.





