Deputado é o segundo a perder mandato na legislatura; tentativa do PL de barrar decisão com mandado de segurança fracassou no tribunal eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul confirmou nesta quinta-feira (21) a perda da vaga do deputado estadual Neno Razuk (PL) e o retorno do ex-deputado João César Matto Grosso (PSDB) à Assembleia Legislativa. A decisão é consequência direta da condenação de Raquelle Lisboa, ex-candidata do PL, por lavagem de R$ 776 mil nas eleições de 2022 — valor que, com correção monetária, ultrapassa R$ 1 milhão.
Com o reprocessamento dos votos determinado pelo TRE, o PL, que havia somado 132.945 votos para a Assembleia, ficou com apenas 122.163 após a exclusão dos votos de Raquelle. A perda foi suficiente para ceder a sétima cadeira ao PSDB, que acumulou 293.036 votos. Neno havia obtido 17.023 votos e João César, 11.650.
O PL tentou segurar o mandato de Neno por meio de mandado de segurança no tribunal eleitoral, mas não obteve êxito. O processo contra Raquelle já havia transitado em julgado, inviabilizando qualquer reversão. Em decisão sem possibilidade de recurso, os ministros Carmen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques entenderam que o então casal utilizou duas empresas para dissimular movimentações ilícitas e praticar lavagem de dinheiro, com endereços inexistentes, serviços não comprovados e contradições nos depoimentos.
Neno se torna o segundo deputado bolsonarista a perder o mandato na atual legislatura. Antes dele, Rafael Tavares (então PRTB) teve a cadeira cassada por unanimidade pelo TRE-MS após o partido descumprir a cota mínima de participação feminina — vaga que ficou com Paulo Duarte. Um terceiro caso envolve Tiago Vargas, que teve 18.288 votos em 2022 e seria eleito, mas concorreu sub Júdice após ser expulso da Polícia Civil e ficar inelegível, cedendo a vaga a Pedrossian Neto.





