Documento aprovado por unanimidade propõe sete reformas e compara gestão petista com o governo Bolsonaro; Lula não participou do congresso por repouso médico

O PT aprovou neste domingo (26) seu manifesto com as diretrizes eleitorais para 2026. O documento, aprovado por unanimidade pelos militantes presentes no congresso, trata a reeleição de Lula como “eixo central da tática política” do partido e foi deliberadamente esvaziado de pontos polêmicos para não afastar o eleitorado de centro.
A estratégia ficou clara na fala do ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais: “O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental.” A orientação veio do próprio Palácio do Planalto, que também pediu mais comparações entre as gestões Lula e Bolsonaro — e a retirada de temas sensíveis, como a reforma do sistema financeiro, que chegou a ser incluída em versões anteriores do texto em referência ao escândalo do Banco Master.
Lula não participou do congresso. O presidente passou por procedimentos de saúde na última quinta-feira (23), em São Paulo, e permanece em repouso. Para contornar a ausência, o PT exibiu um discurso gravado do petista em encontro global de líderes progressistas realizado em Barcelona. Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, ocupou lugar de destaque ao lado do presidente do partido, Edinho Silva.
O manifesto manteve três eixos centrais: reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, retomada do crescimento com distribuição de renda e transição produtiva, tecnológica e ambiental. Propõe ainda sete reformas consideradas essenciais — política e eleitoral, tributária, tecnológica, do Judiciário, administrativa, agrária e do setor de comunicação, sendo as duas últimas acrescentadas no domingo para atender alas internas do partido.
O texto também defende “permanente transição geracional” com limite de mandatos e garante “no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação” do partido. O programa completo ainda será discutido nas próximas semanas pelo diretório nacional.





