Tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingem região de Caracas, causam destruição em várias cidades e são classificados como os mais fortes em mais de um século

Ao menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas após os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). O balanço foi divulgado pelo governo venezuelano na manhã desta quinta-feira (25), enquanto equipes de resgate seguem atuando em áreas com desabamento de prédios, casas e outras estruturas, principalmente na região de Caracas e no estado de La Guaira.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), dois fortes tremores de magnitude 7,2 e 7,5 foram registrados com epicentros próximos à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 km da capital. O órgão classificou os abalos como os mais intensos registrados no país em mais de 100 anos e alertou que o número de vítimas ainda pode aumentar conforme avançam os trabalhos de busca.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência, anunciou a suspensão das aulas e de serviços não essenciais, e informou que pelo menos 30 réplicas foram registradas nas horas seguintes ao primeiro tremor. Redes de gás e eletricidade foram desligadas preventivamente nas áreas mais afetadas para evitar novos acidentes.
Rodríguez também comunicou que o país receberá apoio internacional nas operações de busca e salvamento, com o envio de equipes especializadas vinculadas ao sistema da ONU.
“Já estão enviando resgatistas especializados e certificados pelo sistema ONU. Encontram-se a caminho do nosso país para apoiar essas tarefas”, afirmou.
Além disso, ela anunciou a criação de um fundo inicial de US$ 200 milhões para reconstrução da infraestrutura, com recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), destinados à recuperação de hospitais, moradias e equipamentos públicos.
“Quero anunciar a criação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares, que nos permita reconstruir infraestrutura, hospitais e construir moradias para quem perdeu suas casas”, declarou.
Pânico, destruição e buscas em meio aos escombros
Imagens divulgadas por veículos de comunicação e agências internacionais mostram edifícios reduzidos a escombros em Caracas e fortes danos em La Guaira e em cidades costeiras. Entre os registros estão o desabamento de um hotel na região litorânea e avarias no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, que teve as operações suspensas.
Na cidade de La Guaira, uma das zonas mais afetadas, a moradora Yilsmaris Blanco, 39 anos, relatou à AFP o cenário de destruição:
“Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo”, afirmou.
“Agradecemos a Deus porque estamos vivos, mas há pessoas que estão sofrendo com seus familiares soterrados”, lamentou.
Em Caracas, diante de um prédio totalmente destruído, Larry Rojas, 49 anos, descreveu o desespero de quem ainda procura parentes entre os escombros:
“Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali”, disse à AFP.
Brasil manifesta solidariedade e oferece ajuda
Em nota divulgada na noite de quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter recebido “com profunda consternação” a notícia dos terremotos na Venezuela, expressou solidariedade ao povo venezuelano e às famílias das vítimas e disse que o Brasil está à disposição para colaborar com os esforços de recuperação.
O Ministério das Relações Exteriores também divulgou comunicado manifestando pesar pelas mortes e informando que acompanha a situação por meio da Embaixada do Brasil em Caracas, mantendo contato com autoridades locais para avaliar necessidades de assistência e cooperação humanitária.
Tremores são sentidos no Norte do Brasil
Os abalos sísmicos foram sentidos em diversos países da região e também em estados do Norte do Brasil, como Pará, Amazonas, Roraima e Amapá. Em algumas cidades, moradores relataram a evacuação de prédios após sentir os tremores.
O episódio já é considerado um dos mais graves da história recente da Venezuela. O último grande sismo que atingiu Caracas havia ocorrido em 1967, quando um terremoto de magnitude 6,6 deixou centenas de mortos e mais de 1,500 feridos.





