Vídeos, recados públicos e disputa por vagas ao Senado expõem desgaste e atrapalham estratégia do partido

A sequência de vídeos e recados públicos de Michelle Bolsonaro já não é vista apenas como um “desabafo familiar”. Nos bastidores, dirigentes do PL e lideranças da direita apontam a ex-primeira-dama como uma das maiores causadoras de racha no campo conservador e de divisão dentro do próprio PL.
Enquanto, nas redes, Michelle tenta suavizar o tom dizendo que “apenas esclareceu uma situação” e que “não há briga, nem competição”, o efeito político é o oposto:
- expõe conflito direto com Flávio Bolsonaro;
- tensiona decisões de Valdemar Costa Neto;
- e cria insegurança em alianças já negociadas por Jair Bolsonaro em vários estados.
Vídeo contra Flávio acirra crise
No segundo vídeo divulgado na quarta-feira (24), Michelle relata, em detalhes, o desentendimento com Flávio após se posicionar contra uma possível aliança do PL do Ceará com o grupo de Ciro Gomes. Ela diz ter sido tratada com rispidez, ouviu que “chegou ontem” e que “não entende nada de política”, e afirma ter decidido se afastar das decisões partidárias.
No dia seguinte, tentou amenizar nos stories: afirmou que “não tem raiva de ninguém”, que “apenas esclareceu uma situação que estava sendo deturpada” e pediu para que não tirem sua fala de contexto. Mas, politicamente, o estrago já estava feito: a disputa interna foi escancarada em praça pública, alimentando intrigas e dando munição aos adversários.
Pressão por candidaturas e “bagunça” nas alianças
O ponto central do incômodo é que Michelle vem tentando interferir diretamente no xadrez eleitoral, atropelando acordos fechados pela cúpula do partido. Internamente, é mencionado que, entre as 17 mulheres que o PL projeta lançar ao Senado neste ano em todo o país, ela pressionou por três vagas:
- Priscila, no Ceará;
- Bia Kicis, no Distrito Federal;
- Caroline de Toni, em Santa Catarina.
O problema é que, em vários desses estados, as alianças já haviam sido montadas por Valdemar, Flávio e Jair Bolsonaro. Ao insistir publicamente, Michelle passou a:
- desautorizar movimentos já combinados;
- colocar aliado contra aliado;
- e “bagunçar o cenário político” com declarações e recados semana após semana.
Nos bastidores, a avaliação é dura: em vez de somar, ela tem provocado rachas, brigas internas e confusão entre grupos da própria direita, dificultando a formação de chapas competitivas.
Mato Grosso do Sul como exemplo
O caso de Mato Grosso do Sul virou um símbolo dessa confusão. O PL já havia construído, com pesquisas e articulações, a chapa com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como nomes ao Senado. Mesmo assim, Michelle entrou em campo para cavar a vaga de Marcos Pollon, tentando reabrir um jogo que, pelos números e pelos acordos, estava definido.
O resultado foi mais desgaste, mais divisão e a percepção, entre lideranças conservadoras, de que Michelle hoje é um dos principais vetores de racha na direita e de instabilidade dentro do PL – justamente no momento em que o partido tenta se apresentar como alternativa sólida ao governo Lula em 2026.





