Ministério da Justiça endossa decisão da Polícia Federal e usa argumento de “vida privada” para negar acesso via LAI

O governo Lula (PT) decidiu manter o sigilo de 100 anos sobre a lista de visitas recebidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro durante os três meses em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão foi tomada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e reforça a posição da própria PF, que já havia blindado os dados.
O caso foi analisado no contexto de um recurso com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) apresentado pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, que buscava identificar quem visitou Vorcaro enquanto ele estava sob custódia da PF.
O Ministério da Justiça negou o pedido, afirmando que as informações “ultrapassam a simples identificação de atos administrativos e permitem conhecer aspectos da vida privada dos envolvidos, revelando vínculos familiares, afetivos, sociais ou profissionais mantidos com a pessoa custodiada”.
“– Trata-se, portanto, de informações pessoais relacionadas à intimidade e à vida privada tanto dos visitantes quanto da pessoa sob custódia”, destacou o parecer assinado pelo ouvidor-geral interino Marcos Paulo Hiath da Silva e endossado por Wellington César.
A justificativa reproduz, na prática, o argumento da própria Polícia Federal, que sustentou que os registros estão ligados à privacidade, honra e imagem de Vorcaro. O sigilo centenário impede que a sociedade saiba quem circulou pela Superintendência da PF para visitar um banqueiro envolvido em um dos maiores escândalos financeiros recentes, justamente num governo que vive repetindo o discurso de “transparência” e “defesa da democracia”.
Fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro está preso desde março de 2026, acusado de participação em fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro e tentativa de obstrução da justiça. A decisão de Lula, via Ministério da Justiça, de blindar por 100 anos a lista de visitas a um preso de alto calibre reforça uma contradição recorrente: enquanto endurece a retórica contra adversários políticos, o governo se mostra bastante disposto a fechar cortinas quando o tema envolve grandes interesses econômicos e relações sensíveis dentro do aparelho estatal.





