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Igreja Presbiteriana recomenda que fiéis não integrem o movimento Legendários no Brasil

Supremo Concílio da IPB vê práticas neopentecostais, mercantilização da fé e risco de divisão nas igrejas locais

Igreja Presbiteriana recomendou não participação nos Legendários Foto: Reprodução/YouTube Legendários Brasil Oficial
Igreja Presbiteriana recomendou não participação nos Legendários Foto: Reprodução/YouTube Legendários Brasil Oficial

Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, no 41º Supremo Concílio, realizado em Manaus (AM), uma resolução recomendando que membros, diáconos, presbíteros e pastores não participem nem apoiem o Legendários ou outros grupos considerados semelhantes em suas práticas. A decisão, tomada nesta terça-feira (28), integra um posicionamento oficial sobre doutrina e prática da denominação.

Segundo o documento, o Legendários adota metodologias “pragmáticas, neopentecostais e experienciais”, avaliadas como incompatíveis com a tradição reformada e com os princípios doutrinários da IPB. A recomendação surgiu após consulta de integrantes da igreja no Tocantins, preocupados com a expansão do movimento em comunidades locais.

No parecer, a comissão teológica da IPB critica práticas como isolamento na natureza e testes de resistência física e emocional usados como formação espiritual. Para a Igreja, essas atividades podem substituir o papel central da Bíblia, da pregação fiel e da convivência regular na comunidade, deslocando o foco da fé para experiências subjetivas.

O documento também aponta mercantilização da fé, uso de juramentosuniformes padronizados, discursos motivacionais e técnicas de marketing como elementos que transformam a experiência religiosa em produto de consumo e potencialmente geram divisões internas nas igrejas locais – um alerta que dialoga com a crítica histórica de setores conservadores à lógica de “coaching espiritual” e de movimentos importados sem raiz bíblica sólida.

Criado na Guatemala em 2015 e presente no Brasil desde 2017, o Legendários é voltado exclusivamente para homens e afirma ter como objetivo restaurar o potencial masculino, fortalecer famílias e desenvolver lideranças.

Em nota, o movimento reagiu dizendo que a decisão da IPB não configura proibição formal, mas recomendação, cabendo a cada igreja local orientar seus membros. O grupo afirma ter recebido o posicionamento “com serenidade e respeito” e diz confiar que a publicação oficial do texto ajudará a esclarecer o tema, reafirmando seu compromisso com o fortalecimento das famílias, o desenvolvimento de lideranças e ações de impacto social. O episódio expõe mais uma fronteira de debate entre igrejas históricas e novas expressões de espiritualidade masculina, num país onde a fé continua sendo alvo tanto de instrumentalização política quanto de modelos comerciais.