Declaração ao chanceler alemão e à diretora do FMI contrasta com décadas de militância petista e alinhamento à esquerda

Em conversa registrada nesta quarta-feira (17), durante a Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou se descolar da própria biografia ideológica. Diante do chanceler alemão Friedrich Merz e da diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, o presidente brasileiro afirmou que “nunca foi esquerdista” e que o mundo pertence ao “meio”.
Kristalina lembrou que, em 2003, quando Lula venceu pela primeira vez, a expectativa global era de que chegava ao poder um líder de esquerda. O petista rebateu:
– “Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT da Espanha.”
Lula ainda resgatou episódio dos anos 1980, quando, segundo ele, passou a ser visto como “anticomunista” após não ir a um congresso na Rússia:
– “Em 1980, tinha um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui porque havia sido condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. E aí passei a ser tratado como anticomunista.”
O discurso, porém, contrasta com a trajetória de líder máximo do PT – partido que sempre se assumiu de esquerda –, aliado histórico de siglas socialistas e comunistas na América Latina e no mundo, defensor de regimes “companheiros” e de agendas estatizantes. Ao se vender como figura “do centro” em pleno G7, Lula tenta suavizar sua imagem para plateias internacionais, enquanto dentro do Brasil segue sustentado por uma base claramente alinhada à esquerda.
O G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, e o Brasil participou como convidado da França, em mais uma vitrine global para o presidente reforçar a narrativa que melhor lhe convém no momento.





