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Michelle se torna um dos principais focos de racha na direita e de divisão interna no PL

Vídeos, recados públicos e disputa por vagas ao Senado expõem desgaste e atrapalham estratégia do partido

Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro Fotos: Reprodução Instagram | Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro Fotos: Reprodução Instagram | Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A sequência de vídeos e recados públicos de Michelle Bolsonaro já não é vista apenas como um “desabafo familiar”. Nos bastidores, dirigentes do PL e lideranças da direita apontam a ex-primeira-dama como uma das maiores causadoras de racha no campo conservador e de divisão dentro do próprio PL.

Enquanto, nas redes, Michelle tenta suavizar o tom dizendo que “apenas esclareceu uma situação” e que “não há briga, nem competição”, o efeito político é o oposto:

  • expõe conflito direto com Flávio Bolsonaro;
  • tensiona decisões de Valdemar Costa Neto;
  • e cria insegurança em alianças já negociadas por Jair Bolsonaro em vários estados.

Vídeo contra Flávio acirra crise

No segundo vídeo divulgado na quarta-feira (24), Michelle relata, em detalhes, o desentendimento com Flávio após se posicionar contra uma possível aliança do PL do Ceará com o grupo de Ciro Gomes. Ela diz ter sido tratada com rispidez, ouviu que “chegou ontem” e que “não entende nada de política”, e afirma ter decidido se afastar das decisões partidárias.

No dia seguinte, tentou amenizar nos stories: afirmou que “não tem raiva de ninguém”, que “apenas esclareceu uma situação que estava sendo deturpada” e pediu para que não tirem sua fala de contexto. Mas, politicamente, o estrago já estava feito: a disputa interna foi escancarada em praça pública, alimentando intrigas e dando munição aos adversários.

Pressão por candidaturas e “bagunça” nas alianças

O ponto central do incômodo é que Michelle vem tentando interferir diretamente no xadrez eleitoral, atropelando acordos fechados pela cúpula do partido. Internamente, é mencionado que, entre as 17 mulheres que o PL projeta lançar ao Senado neste ano em todo o país, ela pressionou por três vagas:

  • Priscila, no Ceará;
  • Bia Kicis, no Distrito Federal;
  • Caroline de Toni, em Santa Catarina.

O problema é que, em vários desses estados, as alianças já haviam sido montadas por Valdemar, Flávio e Jair Bolsonaro. Ao insistir publicamente, Michelle passou a:

  • desautorizar movimentos já combinados;
  • colocar aliado contra aliado;
  • “bagunçar o cenário político” com declarações e recados semana após semana.

Nos bastidores, a avaliação é dura: em vez de somar, ela tem provocado rachas, brigas internas e confusão entre grupos da própria direita, dificultando a formação de chapas competitivas.

Mato Grosso do Sul como exemplo

O caso de Mato Grosso do Sul virou um símbolo dessa confusão. O PL já havia construído, com pesquisas e articulações, a chapa com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como nomes ao Senado. Mesmo assim, Michelle entrou em campo para cavar a vaga de Marcos Pollon, tentando reabrir um jogo que, pelos números e pelos acordos, estava definido.

O resultado foi mais desgaste, mais divisão e a percepção, entre lideranças conservadoras, de que Michelle hoje é um dos principais vetores de racha na direita e de instabilidade dentro do PL – justamente no momento em que o partido tenta se apresentar como alternativa sólida ao governo Lula em 2026.