Pesquisar

Senado aprova Benedito Gonçalves para o CNJ e reforça presença de magistrado alinhado à esquerda no comando da corregedoria

Ministro que disse “missão dada, missão cumprida” a Moraes e cassou Bolsonaro assume posto-chave no Judiciário

Foto: IA
Foto: IA

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (10) a indicação do ministro do STJ Benedito Gonçalves para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde ele exercerá o cargo de corregedor nacional de Justiça entre 2026 e 2028. A indicação foi chancelada por 53 votos a favor e 16 contrários.

Benedito não é um nome neutro no tabuleiro político. Ele ficou marcado pela frase “missão dada, missão cumprida”, dita ao ministro Alexandre de Moraes durante a diplomação de Lula em dezembro de 2022. A expressão virou um símbolo da aproximação do ministro com o campo lulista e é diretamente associada à sua atuação como relator das ações no TSE que declararam Jair Bolsonaro inelegível. Para grande parte da direita, o gesto revelou mais do que deferência institucional: expôs um alinhamento político-ideológico com a esquerda e com o projeto de poder do PT.

Com mais de 50 anos de serviço público, 38 deles na magistratura, Benedito Gonçalves construiu carreira tecnicamente robusta: é graduado em Direito, com mestrado e especialização na área jurídica; foi papiloscopista da Polícia Federal, delegado no Distrito Federal, juiz federal a partir de 1988 (atuando no Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul), desembargador do TRF-2 a partir de 1998 e, uma década depois, chegou ao STJ, onde permanece.

O relator da indicação, senador Cid Gomes (PSB-CE), exaltou a trajetória de Benedito, destacando sua origem humilde: “O ministro Benedito é filho de um pedreiro e de uma servente lavadora, de origem humilde, negro, da periferia do Rio de Janeiro. Estudou com toda dificuldade, prestou concurso público e ascendeu ao Superior Tribunal de Justiça”. Para a base governista, esse percurso é prova de mérito e dedicação à magistratura.

O ponto de preocupação, porém, não está no currículo formal, mas na postura recente: um magistrado que, em vez de se manter acima da disputa, assumiu protagonismo em decisões que beneficiaram diretamente o projeto da esquerda e ainda celebrou publicamente esse papel com um “missão cumprida”. Colocá-lo na corregedoria do CNJ – órgão responsável por fiscalizar e disciplinar juízes – é, na prática, dar um instrumento ainda mais poderoso a alguém visto por boa parte da sociedade como um militante togado, alinhado ao lulismo.

Benedito foi sabatinado na CCJ em 20 de maio, mas o voto final do Senado consolida a leitura de que o governo Lula conseguiu emplacar, em uma cadeira sensível do sistema de Justiça, um nome que já demonstrou disposição para atuar politicamente contra a direita, ainda que revestido do discurso de “defesa da democracia”.