Ao ser cotada como suplente de Vander, senadora sai da urna e redistribui segundo voto petista entre Nelsinho e Reinaldo

A articulação para que Soraya Thronicke (PSB) seja apenas suplente de Vander Loubet (PT) na chapa ao Senado em Mato Grosso do Sul altera de forma relevante o xadrez eleitoral, justamente no ponto mais sensível desta disputa: o segundo voto do eleitor petista.
Hoje o cenário é o seguinte: Capitão Contar (PL), Reinaldo Azambuja (PL) e Nelsinho Trad (PSD) aparecem em um empate técnico, com Azambuja ligeiramente à frente e Nelsinho em terceiro. Nesse contexto, o comportamento do eleitor de esquerda, que vota em Vander como primeira escolha, tende a ser decisivo.
Entre os petistas, a hierarquia natural do segundo voto é:
1º Nelsinho, 2º Azambuja, 3º Soraya.
Contar praticamente não entra no radar desse eleitorado, por ser identificado com o bolsonarismo raiz.
Na análise anterior, com Soraya candidata, ela funcionaria como um “ralo” para parte desse segundo voto lulista – especialmente de quem rejeita Nelsinho, mas também não quer votar em nomes do PL. Ela poderia capturar uma parcela do voto de esquerda que hoje tende a ir a Nelsinho, mantendo os três grandes (Contar, Azambuja e Nelsinho) num bloco muito próximo. O efeito prático: Soraya não necessariamente se elegeria, mas reduziria a gordura de Nelsinho e manteria a disputa embolada.
Ao sair do jogo para ser suplente de Vander, Soraya deixa de ser opção na urna e a disputa pelo segundo voto petista se concentra apenas em Nelsinho x Azambuja. Ou seja, o eleitor de esquerda que vota em Vander perde uma alternativa mais “neutra” e, forçado a escolher, distribui seu voto entre um nome de centro (Nelsinho) e um líder regional do PL (Azambuja), deixando Capitão Contar fora dessa conta.
Na prática, isso tende a produzir dois movimentos:
1) Nelsinho ganha espaço real para crescer sobre o segundo voto petista, podendo reduzir a vantagem inicial de Azambuja;
2) Contar se vê ainda mais dependente da mobilização da direita e do voto antipetista, porque o eleitor de esquerda, que já não iria a ele, passa a ser disputado apenas entre Nelsinho e Azambuja.
Não se trata de cenário necessariamente negativo para a direita. Contar continua competitivo, com base própria forte e potencial entre 400 e 500 mil votos. O ponto é que, com Soraya fora da corrida, a variável “segundo voto petista” passa a ser um fator de reequilíbrio entre Nelsinho e Azambuja, enquanto o desempenho de Contar dependerá cada vez mais da capacidade da direita de unificar e ampliar seu eleitorado, sem contar com “ajudas indiretas” vindas da fragmentação lulista.





