Ex-presidente do Banco Central cobra nova reforma da Previdência, corte de gastos tributários e eficiência do Estado

“O Brasil precisa passar por uma boa peneirada, porque o quadro geral é desastroso. Uma verdadeira vergonha.” A avaliação dura é do economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, em entrevista à revista Veja, ao analisar a economia brasileira sob o governo Lula (PT).
Fraga aponta que a atual gestão federal agravou o quadro fiscal, mesmo vendendo a narrativa de “responsabilidade” nas contas públicas.
“– Dizem que já temos austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez a dívida pública crescer?”, questionou.
Segundo o economista, as metas fiscais definidas no início do mandato já nasceram modestas e foram descumpridas, enquanto o aumento da dívida e o encurtamento do perfil dos títulos emitidos pelo Tesouro escancaram o nível de desconfiança em relação ao governo.
“– O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil – afirmou.”
Apesar de classificar o quadro como “desastroso”, Fraga pondera que “há muito espaço para melhorar em todas as áreas, o que viabilizaria um crescimento acelerado e inclusivo”. Para isso, defende um compromisso dos Três Poderes com o equilíbrio fiscal, incluindo nova reforma da Previdência, aumento da eficiência do Estado e redução dos gastos tributários – exatamente o oposto da agenda lulista, baseada em expansão de despesas, pressão sobre o setor produtivo e uso político da máquina pública.





