Parecer será votado pela CCJ em 5 de maio; deputados são acusados de conduta incompatível com o decoro por obstruírem a Mesa Diretora por dois dias

O relator do Conselho de Ética da Câmara, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), votou pela suspensão por dois meses do mandato de três parlamentares que participaram do motim ocorrido em 6 de agosto de 2025, quando bolsonaristas obstruíram a Mesa Diretora após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os alvos são Zé Trovão (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel van Hattem (Novo-RS). O parecer será votado em 5 de maio pela CCJ da Câmara.
Em seu voto, Rodrigues foi direto: “Este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza.” O relator rejeitou os pedidos da defesa para arquivar a denúncia por alegados erros formais, sustentando que “a acusação foi corretamente descrita” e que a demanda está “apta a prosseguir.”
O episódio durou dois dias. Os parlamentares impediram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir a cadeira da presidência no plenário — chegando ao ponto de se acorrentarem às cadeiras para dificultar a remoção. Pollon foi além: sentou-se na cadeira de Hugo Motta para impedir o início da sessão e ainda chamou o presidente da Casa de “bosta” e “baixinho de um metro e sessenta.”
A Corregedoria, chefiada por Diego Coronel (PSD-BA), havia sugerido 30 dias de suspensão para Van Hattem e Trovão e 60 dias para Pollon. O relator ampliou a punição para dois meses nos três casos, argumentando que a conduta visava “impedir, e não viabilizar, o processo legislativo.”





