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Abaixo-assinado contra Erika Hilton explode e supera 120 mil assinaturas em defesa de mulheres biológicas

Reação à presidência da Comissão da Mulher expõe rejeição popular à pauta identitária empurrada pela esquerda

Erika Hilton em sessão da Comissão da Mulher Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Erika Hilton em sessão da Comissão da Mulher Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A escolha de Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados continua provocando forte reação dentro e fora do Congresso. Desde a votação da última quarta-feira (11), um abaixo-assinado criado na internet contra a decisão já ultrapassou 120 mil adesões até esta segunda-feira, mostrando que a militância identitária do PSOL e do PT não fala em nome da maioria das mulheres brasileiras.

A petição, lançada em 11 de março pela pré-candidata a deputada federal Sophia Barclay, se apresenta como uma “manifestação democrática de cidadãos que desejam abrir esse debate e pedir que a Câmara dos Deputados considere, com atenção, os critérios de representatividade e identificação com as mulheres brasileiras ao definir quem deve ocupar a presidência da Comissão das Mulheres”.

O texto resume o propósito da mobilização:

– “Nosso objetivo é simples: garantir que a Comissão das Mulheres seja conduzida por uma liderança que represente, de forma ampla e reconhecida, as mulheres do Brasil”.

Erika Hilton foi eleita com 11 votos e se tornou a primeira parlamentar trans a comandar o colegiado; outros 10 deputados votaram em branco. A vice-presidência ficou com Laura Carneiro (PSD-RJ). A decisão, porém, foi duramente contestada por deputadas que defendem a preservação de espaços exclusivos para mulheres biológicas.

Greyce Elias (Avante-MG), titular da comissão, lembrou o sentido original do colegiado:

– “Esse espaço existe para defender as mulheres brasileiras. A comissão nasceu para enfrentar problemas reais que atingem milhões de mulheres no nosso país: violência doméstica, feminicídio, saúde, desigualdade salarial e proteção à maternidade. Foram anos de luta para que as mulheres tivessem voz dentro do Parlamento”.

Rosângela Moro (União Brasil-PR) reforçou que o ponto central é a natureza dos temas tratados:

– “Não se trata de discutir a pessoa. Se trata de discutir para que serve a Comissão das Mulheres. Muitos dos assuntos que tratamos são biologicamente de mulheres, como gestação, violência obstétrica, câncer de colo de útero e endometriose”.

Delegada Ione (Avante-MG) alertou para o risco de invisibilizar as próprias mulheres:

– “Para lembrar das transexuais, estão esquecendo das mulheres. Para incluir um segmento da sociedade, estão excluindo outro (…) qual a legitimidade da deputada Erika Hilton para debater sobre menstruar? Com que autoridade poderá presidir debates sobre dificuldades de ser mãe no Brasil?”.

Na mesma direção, a deputada estadual Mara Lima (Republicanos-PR) apontou a desconexão entre a experiência de vida de uma mulher trans e a realidade feminina:

– “Quem assume uma comissão dessa importância precisa ter conhecimento de causa. E isso tem que ser uma mulher que vive essas situações, como gravidez, ciclo menstrual e violência doméstica (…) a mulher luta tanto para conquistar espaço e acaba perdendo para um homem que biologicamente é homem”.

Clarissa Tercio (Progressistas-PE) defendeu a ocupação de cargos por mulheres biológicas, enquanto Chris Tonietto (PL-RJ) optou por um protesto silencioso em vídeo nas redes, por orientação de seu advogado.

A reação popular expressa no abaixo-assinado reforça o que muitas parlamentares já vêm denunciando: sob o discurso “progressista” do governo Lula e de seus aliados, a pauta identitária acaba atropelando as próprias mulheres, que lutaram décadas para construir e manter espaços de representatividade real no Parlamento.