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Pesquisa aponta empate triplo na disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul

Levantamento IPR/Correio do Estado foi aplicado em 17 municípios que concentram 68% da população do Estado

Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad e Capitão Contar - Foto: Montagem Redes Sociais/Jefferson Rudy, Agência Senado
Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad e Capitão Contar – Foto: Montagem Redes Sociais/Jefferson Rudy, Agência Senado

Uma pesquisa de intenção de voto para o Senado, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) em parceria com o Correio do Estado entre 5 e 9 de março deste ano, mostra um cenário de empate técnico triplo para as duas vagas em disputa em Mato Grosso do Sul, dentro da margem de erro de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

No cenário estimulado – quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos entrevistados – e considerando a média entre o primeiro e o segundo votos, aparecem tecnicamente empatados o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), com 18,2%, o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), com 17,2%, e o senador Nelsinho Trad (PSD), com 14,6%.

Levando em conta a margem de erro, Azambuja poderia alcançar até 21,5% ou cair a 14,7%; Capitão Contar varia de 13,7% a 20,7%; e Nelsinho oscila entre 11,1% e 18,1%.

SEGUNDO BLOCO

O levantamento IPR/Correio do Estado, que possui intervalo de confiança de 95%, também identificou um empate técnico no segundo pelotão da disputa. Nesse grupo aparecem a senadora Soraya Thronicke (Podemos), com 8%, o deputado federal Vander Loubet (PT), com 7%, e o também deputado federal Marcos Pollon (PL), com 6%.

Com a mesma margem de erro de 3,5 pontos, Soraya pode ir de 4,5% a 11,5%; Vander, de 3,5% a 10%; e Pollon, de 2,5% a 9%. Além disso, 29% dos entrevistados declararam estar indecisos.

A pesquisa ouviu 784 eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Juntas, essas 17 cidades concentram 68% dos 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossenses – aproximadamente 1,2 milhão de votantes. Por abranger a maior parte da capacidade eleitoral do Estado, o levantamento é considerado um retrato bastante fiel do quadro atual, já que os pequenos municípios têm peso estatístico reduzido.

ESPONTÂNEA

Na modalidade espontânea – quando o entrevistado responde sem receber opções de nomes – Reinaldo Azambuja lidera com 3,95%, seguido por Nelsinho Trad, com 1,66%, Capitão Contar, com 1,40%, e Tereza Cristina (PP), com 1,28%.

Na sequência aparecem Marcos Pollon, com 0,89%; Simone Tebet (MDB), com 0,64%; Soraya Thronicke, com 0,38%; Delcídio do Amaral (PRD), com 0,13%; Fábio Trad (PT), com 0,13%; Gianni Nogueira (PL), com 0,13%; Junior Mochi (MDB), com 0,13%; Osvaldo Meza (sem partido), com 0,13%; e Vander Loubet, também com 0,13%. Um total de 89,03% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

REJEIÇÃO

O estudo IPR/Correio do Estado também mediu o índice de rejeição dos pré-candidatos ao Senado em Mato Grosso do Sul. Soraya Thronicke aparece com o maior percentual, 15,43%, seguida por Capitão Contar, com 12,37%; Nelsinho Trad, com 7,40%; Reinaldo Azambuja, com 6,89%; Vander Loubet, com 6,12%; e Marcos Pollon, com 5,48%.

Além disso, 21,94% dos entrevistados afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados, enquanto 15,05% rejeitam todos. Outros 1,53% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, e 7,78% não souberam ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Para o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, o levantamento revela, neste momento, um cenário de forte competitividade na disputa ao Senado.

“Com duas vagas em disputa, três pré-candidatos aparecem com desempenho eleitoral relevante e em condições efetivas de disputa. É importante destacar que a pesquisa retrata o sentimento do eleitorado no momento da coleta dos dados, ou seja, apresenta uma fotografia do cenário atual, que pode sofrer alterações até o dia da eleição”, afirmou.

Ele ressaltou a importância de observar a evolução do quadro ao longo do tempo.

“Mudanças no ambiente político, no posicionamento dos candidatos, na comunicação de campanha e até mesmo em eventuais redefinições de alianças podem influenciar diretamente o comportamento do eleitor e, consequentemente, os índices de intenção de voto”, completou.

Aruaque Barbosa detalhou que, neste estudo, Reinaldo Azambuja figura na frente, com 18,2% das intenções de voto, seguido por Capitão Contar, com 17,2%, e por Nelsinho Trad, com 14,6%.

“Considerando a margem de erro de 3,5% pontos porcentuais para mais ou para menos, os três estão em situação de empate técnico. Em termos estatísticos, isso significa que não é possível afirmar, com segurança, uma liderança isolada entre eles”, avaliou.

Apesar da proximidade numérica, o diretor destaca diferenças relevantes no perfil de cada pré-candidato.

“Azambuja demonstra maior equilíbrio entre os municípios pesquisados, o que sugere uma base mais regular e distribuída. Capitão Contar concentra melhor desempenho no primeiro voto, mas apresenta menor força no segundo, indicando um eleitorado mais convicto, porém menos complementar. Já Nelsinho Trad registra desempenho equilibrado entre o primeiro e o segundo voto, o que revela maior capacidade de agregação e aceitação como alternativa entre os eleitores”, explicou.

Na visão dele, esse comportamento exige estratégias distintas por parte de cada campanha.

“A forma como vão construir seu discurso, consolidar posicionamento político e dialogar com segmentos específicos do eleitorado será decisiva para ampliar competitividade e converter potencial em voto consolidado”, apontou.

O diretor acrescentou que os demais nomes testados – Soraya, com 8%; Vander, com 7%; e Pollon, com 6% – aparecem, por ora, em patamar inferior de intenção de voto.

“Para alterar esse quadro, será necessário intensificar presença pública, fortalecer imagem política e ampliar inserção no debate eleitoral”, observou.

Ele lembrou ainda que a alta rejeição de Soraya, de 15,43%, tende a dificultar uma expansão mais robusta de sua candidatura em comparação com os concorrentes.

“Logo em seguida vem Capitão Contar, com 12,4%, Nelsinho, com 7,4%, Azambuja, com 6,9%, Vander, com 6,1%, e Pollon, com 5,5%. Também é importante considerar que eventuais mudanças na composição das candidaturas ao Senado podem produzir novos rearranjos no cenário”, alertou.

Aruaque ponderou que a entrada ou saída de nomes competitivos obrigará uma reavaliação do ambiente eleitoral e de seus impactos sobre a corrida ao Senado.

“No quadro atual, porém, Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho são os pré-candidatos que apresentam vantagem competitiva em relação aos demais”, concluiu.

Outro dado relevante, segundo o diretor, é que, até agora, nem mesmo o apoio público do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) a Marcos Pollon foi capaz de alterar de forma significativa a dinâmica da disputa.

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