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Divulgação de nomes por Bolsonaro, de dentro da prisão, causa surpresa na oposição e até entre aliados; veja lista

Ex-presidente crava pré-candidatos ao Senado em três estados e testa opções de vice para chapa com Flávio Bolsonaro

Jair Bolsonaro Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Jair Bolsonaro Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A movimentação eleitoral de Jair Bolsonaro, mesmo preso na Papudinha, pegou de surpresa tanto a oposição quanto parte de seus próprios aliados. Em visita ao ex-presidente neste sábado (21), o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) saiu com uma mensagem clara: Bolsonaro está montando, pessoalmente, o xadrez para o Senado e já tem nomes definidos em colégios eleitorais estratégicos.

Segundo Sanderson, em Santa Catarina a orientação é lançar Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado. “A orientação de Jair Bolsonaro em Santa Catarina chama Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, isso é ponto pacífico, não tem por que ficarmos nos desgastando”, afirmou. No Rio Grande do Sul, os indicados seriam o próprio Sanderson e Marcel van Hattem (Novo-RS). Já no Distrito Federal, a chapa ao Senado incluiria Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF), reforçando o protagonismo do núcleo mais fiel ao ex-presidente.

O parlamentar também revelou que Bolsonaro avalia nomes para compor a chapa presidencial, ao lado de Flávio Bolsonaro. Estão no radar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). “Romeu Zema é um nome qualificado, digno, ousado, que somaria muito em estar conosco”, disse Sanderson, acrescentando que a definição do vice dependerá dos arranjos políticos nacionais e cravando que “o Partido Liberal estará no segundo turno”.

Apesar do recado vindo da prisão, o cenário em Santa Catarina segue embolado. Caroline de Toni já comunicou ao PL que pretende deixar a sigla para disputar o Senado por outro partido, o que abriu espaço para alternativas, como eventual apoio ao senador Esperidião Amin (PP). Houve tentativa de composição que envolveria apoio a Carlos Bolsonaro e Amin, com Carol assumindo a liderança da bancada mais à frente, mas a deputada rejeitou o arranjo. Sanderson admitiu que a saída dela “não seria nada bom” e demonstrou confiança em sua permanência: “Não acredito que a Carol de Toni concorra por outro partido que não seja o Partido Liberal (…) ela é uma excelente parlamentar, tem confiança de Bolsonaro e do governador Jorginho”.

As listas e sinalizações vindas de Bolsonaro, mesmo encarcerado, mostram que o ex-presidente segue no comando político da direita e mantém a caneta sobre quem terá selo “oficial” do bolsonarismo em 2026 – fator que pode decidir rumos de alianças, migrações partidárias e até rachas internos no PL e em partidos aliados.