Capitão, sem apoio de prefeitos ou caciques do MS, volta a ser aposta bolsonarista pela trajetória e lealdade desde 2018

O deputado federal Marcos Pollon (PL) voltou à carga na disputa interna pela vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul. Em vídeo nas redes, afirmou que “o sistema está calando a voz” de Jair Bolsonaro e que caberia ao eleitor ouvir a “determinação” do ex-presidente, referindo-se à carta divulgada por Michelle Bolsonaro em fevereiro, na qual Bolsonaro teria indicado Pollon como seu candidato no Estado.
A narrativa, porém, esbarra em uma contradição evidente: o próprio PL, sob influência direta de Flávio Bolsonaro – filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto –, trabalha para manter Capitão Contar como nome da legenda para o Senado. Em abril, durante agenda em Campo Grande, Flávio não confirmou Pollon; ao contrário, disse que pesquisas definiriam o candidato e cravou apenas Reinaldo Azambuja como presença certa na chapa.
No caso de Contar, a escolha vai além dos números – onde ele lidera Pollon com larga vantagem. O ex-deputado estadual construiu reputação como um dos poucos no Estado que efetivamente enfrentaram o “sistema”: não conta com o apoio de nenhum prefeito, nenhum deputado, nenhum senador e nenhum vereador, e, ainda assim, volta à disputa praticamente sozinho, sem o respaldo dos grandes peixes da política sul-mato-grossense.
Desde 2018, quando foi eleito o deputado estadual mais votado da história de Mato Grosso do Sul, Contar se manteve alinhado às pautas da direita, resistiu às pressões do establishment local e manteve fidelidade ao bolsonarismo mesmo nos períodos de maior desgaste. Diante desse histórico, é difícil sustentar que “o sistema está calando Bolsonaro” justamente no momento em que o nome mais identificado com o combate ao sistema – e que não deve nada à velha política – tende a ser o escolhido para representar o PL no Senado.





