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Mendonça manda Papuda explicar suposta “pressão” sobre Careca do INSS para delação premiada

Ministro do STF cobra identificação de policiais penais que teriam abordado empresário sem presença de advogados

Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O ministro André Mendonça, do STF, determinou que o Complexo Penitenciário da Papuda preste esclarecimentos, em até 48 horas, sobre a abordagem feita por policiais penais a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O despacho, assinado na segunda-feira (22), exige também a identificação dos agentes envolvidos.

A medida foi tomada após petição da defesa de Antunes ao gabinete de Mendonça. Os advogados relatam que policiais penais teriam submetido o empresário a uma espécie de “entrevista informal” dentro do presídio, sem qualquer agendamento formal e sem a presença da defesa. O foco das perguntas, segundo o relato, era a possibilidade de o preso firmar acordo de colaboração premiada, tema sobre o qual os agentes teriam insistido por cerca de uma hora. Conforme divulgado pela CNN, o episódio ocorreu na semana passada, quando Antunes foi retirado de sua cela e levado a uma sala do presídio.

Preso preventivamente desde 12 de setembro de 2024, Antunes é um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. De acordo com as apurações, pessoas e empresas ligadas ao lobista teriam recebido R$ 48,1 milhões de associações suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados, além de R$ 5,4 milhões de empresas vinculadas a essas entidades, somando R$ 53,5 milhões em possíveis desvios.

Em depoimento à CPMI do INSS, Antunes negou participação no esquema, classificou a prisão como “medida extremamente grave, baseada em premissa absolutamente equivocada” e atribuiu as acusações à “mentira, inveja e calúnia” de um ex-parceiro comercial.

O despacho de Mendonça abre uma frente sensível: se confirmada a pressão indevida para forçar delação sem o devido processo legal, o caso pode expor abusos no sistema prisional e contaminar a própria investigação. Em um ambiente já marcado por denúncias de excessos e prisões alongadas, qualquer tentativa de “coletar colaboração” à margem da lei fere garantias básicas de defesa e alimenta críticas ao uso político de operações judiciais.