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Governo Lula reage à decisão dos EUA sobre CV e PCC e acusa Trump de usar “pretexto para intervenção” no Brasil

Celso Amorim critica classificação de facções como terroristas, enquanto Trump atende pedido de Flávio Bolsonaro e endurece discurso contra narcocrime

Celso Amorim e Lula Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Celso Amorim e Lula Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo Lula reagiu com dureza à decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que a medida da Casa Branca não pode ser usada como “pretexto para intervenção” em território brasileiro.

Segundo Amorim, o Planalto admite a importância da cooperação internacional, mas rejeita qualquer passo que considere abrir espaço para ações unilaterais dos EUA. “Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. O crime organizado é um mal que tem que ser combatido. A cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, declarou.

Do outro lado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que o país está designando o PCC e o CV como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende enquadrá-los formalmente como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026. No comunicado, Rubio destacou que as facções brasileiras comandam milhares de integrantes, promovem ataques brutais contra policiais, agentes públicos e civis, e têm redes criminosas que ultrapassam as fronteiras do Brasil. Ele reforçou que “o governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”.

A decisão ocorre poucos dias após um movimento político explícito da direita brasileira. Na terça-feira (26), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Donald Trump e afirmou ter pedido pessoalmente que o republicano classificasse PCC e CV como organizações terroristas. Dois dias depois, veio o anúncio oficial, esvaziando a estratégia de Lula, que havia se encontrado com Trump em 7 de maio para tentar desarmar exatamente esse tipo de medida.

Na prática, o episódio expõe a fragilidade internacional do governo petista: enquanto Lula tenta relativizar o problema do crime organizado e se preocupa mais com o discurso de “soberania”, Trump e Flávio Bolsonaro alinham uma agenda dura contra facções que há décadas espalham violência, corrupção e medo pelo Brasil e pela região.