Após vídeo em que Zema explorou denúncia contra Flávio, gesto de “paz e amor” na Megaleite expõe cálculo político e fragilidade de eventual chapa

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ambos pré-candidatos à Presidência da República, voltaram a aparecer lado a lado nesta terça-feira (2), durante a Megaleite, em Belo Horizonte (MG). Em clima de descontração, os dois brindaram com taças de leite, em um gesto cuidadosamente registrado.
O brinde foi sugerido pelo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lopes Lacerda, dentro do maior evento do setor leiteiro do país. As imagens do encontro foram divulgadas pelo governador de Minas, Mateus Simões (PSD), que também aparece conversando com Flávio sobre a visita do senador ao Mercado Central de Belo Horizonte, realizada na segunda-feira (1º).
O que o vídeo não mostra, mas o bastidor deixa evidente, é o contraste entre a cena cordial e a postura recente de Zema. Diante das denúncias de que Flávio teria pedido recursos ao empresário Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, o ex-governador correu para gravar um vídeo em tom emotivo, batendo duro no senador e tentando capitalizar politicamente o episódio. Agora, diante da reação do público conservador, reaparece “de taça na mão”, flertando novamente com Flávio, como se nada tivesse ocorrido.
O movimento reforça a percepção de que Zema atua de forma profundamente calculada: quando enxerga fragilidade, tenta se diferenciar e ocupar espaço; quando percebe que a base bolsonarista não abandonou Flávio, recompõe o discurso e posa de aliado. Para muitos observadores da direita, o episódio acende um sinal de alerta sobre a confiabilidade do ex-governador em qualquer composição nacional.

Em uma eventual chapa em que Zema figure como vice, o risco é evidente: na primeira turbulência mais séria, o histórico recente sugere que ele não hesitaria em se afastar para preservar a própria imagem, deixando o parceiro exposto. A cena do brinde na Megaleite, portanto, não é apenas um registro simpático do agro, mas um retrato claro da política de conveniência: quando interessa, críticas duras; quando o vento muda, sorriso, foto e leite para as câmeras.





