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Fachin marca para 24 de junho julgamento da “uberização” e STF pode consolidar regra pró-empresas em trabalho por aplicativos

Sem avanço do PL dos Aplicativos no Congresso, Supremo retoma análise sobre vínculo empregatício de motoristas e entregadores de plataformas digitais

Ministro Edson Fachin, presidente do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Ministro Edson Fachin, presidente do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O presidente do STF, Edson Fachin, agendou para 24 de junho o julgamento que vai discutir o vínculo empregatício de trabalhadores de aplicativos, a chamada “uberização”. Relator do caso, ele havia tentado pautar o tema ainda em setembro do ano passado, logo ao assumir o comando da Corte, mas recuou para dar tempo ao Congresso avançar no chamado PL dos Aplicativos – que continua parado, por falta de consenso entre empresas, trabalhadores e governo.

Diante da inércia parlamentar, o Supremo volta ao centro do debate trabalhista. Nos últimos anos, a Corte recebeu diversas reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram vínculo de emprego em contratos via pessoa jurídica (PJ) ou por aplicativos. Em decisões monocráticas, a maioria dos ministros derrubou essas sentenças, alegando contrariedade à jurisprudência que admite terceirização inclusive da atividade-fim das empresas.

Por esse histórico, a avaliação predominante no meio jurídico é de que o STF tende a firmar uma posição mais favorável às plataformas digitais, limitando o reconhecimento automático de vínculo empregatício para motoristas e entregadores. Até agora, apenas Fachin e Flávio Dino sinalizaram entendimento mais alinhado à criação desse vínculo nas relações mediadas por apps.

A ação relatada por Fachin trata exclusivamente do trabalho intermediado por aplicativos. Já o tema mais amplo da “pejotização” – que deve fixar parâmetros gerais para contratação por PJ – está nas mãos do ministro Gilmar Mendes. O processo ainda não foi liberado para julgamento, mas, segundo bastidores, o voto do relator está praticamente pronto, preparando um novo embate entre o intervencionismo judicial e a liberdade de contratação no setor produtivo.