Petista critica classificação de facções como terroristas por Washington, tenta nacionalizar combate ao crime e acusa filho de Bolsonaro de trair o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29), em Laranjeiras (SE), que ficou “muito triste” com a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida, tomada pelo governo americano, amplia o cerco internacional às facções brasileiras e atende justamente à pauta defendida por setores da direita no país.
Em discurso, Lula ironizou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e sugeriu que a designação poderia abrir espaço para ingerência estrangeira:
“Hoje eu tô muito triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte (sic), um tal de Marco Rubio, diz que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”.
O próprio presidente admitiu, porém, que as facções já são vistas como terroristas pelo povo brasileiro:
“Esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país, eles são terroristas”. Apesar disso, Lula rechaçou a ação dos EUA e insistiu que o combate deve ser feito apenas internamente. “Nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei anti-facção e aprovamos a lei de combater o crime organizado. E vamos combater”, declarou, tentando reforçar o discurso de soberania.
No mesmo ato, Lula atacou diretamente a família Bolsonaro. Sem citar nomes de início, acusou “um filho de um bolsonarista” de pedir intervenção americana no Brasil, referência clara a Flávio Bolsonaro, que havia se reunido com Donald Trump dias antes para defender a classificação do PCC e do CV como terroristas.
“Que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria pedindo nos Estados Unidos intervenção americana no Brasil”, disparou o petista.
Lula ainda afirmou ter solicitado a Trump a deportação de Alexandre Ramagem e do empresário Ricardo Magro. “Vamos começar por entregar o Ramagem que está condenado a 16 anos e está escondido lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Ricardo Magro. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele”, disse, em tom de enfrentamento político.
O episódio expõe mais uma vez o contraste entre a postura do governo Lula, desconfiado da pressão externa sobre facções criminosas, e o movimento da oposição de direita, que busca endurecer o tratamento internacional contra organizações que já espalham terror e violência há décadas no Brasil.





