Pesquisar

Copa do Mundo fica mais salgada no bolso: cesta do torcedor sobe 32,5% e supera de longe a inflação do período

Custo para comer e beber durante os jogos cresce mais que a renda; bebidas e chocolate puxam alta e expõem peso da política econômica no dia a dia

Imagem Ilustrativa - Foto: IA
Imagem Ilustrativa – Foto: IA

A dois meses da Copa do Mundo de 2026, a “cesta da Copa” — conjunto de itens típicos de consumo durante os jogos — já ficou 32,5% mais cara entre o fim de 2022 e o fim de 2025, segundo levantamento da Rico com base em dados da NielsenIQ. No mesmo período, o IPCA acumulou 21%, mostrando que o torcedor está apanhando da inflação muito acima dos índices “oficiais” celebrados em Brasília.

Segundo a analista Maria Giulia Figueiredo, “o torcedor que vai ao supermercado para preparar a mesa dos jogos percebe uma alta relevante nos preços dos produtos mais associados ao consumo coletivo e aos momentos de lazer durante a Copa”. Em 2022, essa cesta movimentou R$ 7,2 bilhões em receita.

O vilão absoluto é o chocolate: alta de 66,6% em três anos, impulsionada pelo disparo do cacau, cujo preço saltou de cerca de US$ 2.500 por tonelada em 2022 para perto de US$ 10 mil em 2024, após quebra de safra na Costa do Marfim e em Gana. Sorvetes subiram 44,9%; outras bebidas alcoólicas, 36,1%; sucos, 35,7%; refrigerantes e água, 35,5%.

A cerveja — companheira fiel do brasileiro em dia de jogo — avançou 27,5%, bem acima do IPCA. Carnes, por outro lado, tiveram alta mais moderada, de 12,9%, funcionando como “âncora” relativa do churrasco.

O problema é que tudo isso acontece num cenário em que o orçamento segue estrangulado: a renda per capita até cresceu e o desemprego caiu de 7,9% para 5,6%, mas o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,3%, o maior nível desde 2008, e o endividamento das famílias passou de 33,7% para 36,5% do PIB. Ou seja: o brasileiro trabalha mais, paga mais juros e ainda vê o lazer da Copa minguar.

Com preços em alta e renda engessada, a saída tem sido trocar por marcas mais baratas, embalagens menores e reduzir a quantidade na mesa — mais um retrato de como a política econômica do governo federal pesa até na hora de vestir a camisa da Seleção e ligar a TV.