Pesquisar

Na Record, Lula fala sobre Trump, Lulinha, segurança pública e “taxa das blusinhas”

Entrevista foi exibida no mesmo horário do debate da Band, do qual o presidente não participou

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, concedeu entrevista à Record exibida na noite deste domingo (23), no mesmo horário do debate entre candidatos à Presidência da República promovido pela Band. Lula não participou do encontro.

Durante a entrevista, o presidente falou sobre a conversa telefônica que teve nesta semana com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, o diálogo teria produzido resultados e levado Trump a determinar que representantes dos dois governos iniciem conversas.

Lula afirmou ter dito ao presidente americano que as justificativas utilizadas para as novas sanções tarifárias contra o Brasil seriam falsas. Ele também declarou estar disposto a trabalhar em conjunto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.

Em junho, o governo americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O governo brasileiro rejeita a classificação, sob o argumento de que ela pode afetar a soberania nacional.

Lula fala sobre a “taxa das blusinhas”

Na entrevista, Lula afirmou que pretende anunciar o fim da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

O presidente mencionou uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), realizada no dia 12. Dois dias depois, Alcolumbre informou que havia determinado o encaminhamento de propostas relacionadas ao fim da escala 6×1, à PEC da Segurança Pública e à criação de uma política nacional para minerais críticos.

A cobrança sobre compras internacionais foi temporariamente suspensa em maio, mas a manutenção da isenção depende da aprovação de uma medida provisória pelo Congresso até 8 de setembro.

Lula afirmou ser favorável ao consumo, mas defendeu que os gastos sejam compatíveis com a renda dos consumidores. Também disse que pretende criar um programa de educação voltado à economia popular.

Presidente defende investigação sobre Lulinha

Questionado sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Lula afirmou que ele deve ser investigado caso existam suspeitas de irregularidades.

“Se alguém está agindo de forma errada tem que ser investigado. Ninguém está impune se cometer um erro; vale para meu filho ou para qualquer pessoa”, declarou.

Lulinha é citado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações conduzidas pela Polícia Federal apuram suspeitas de tráfico de influência em negócios relacionados a aliados do governo federal.

O presidente afirmou que, caso sejam comprovados prejuízos aos cofres públicos, os responsáveis deverão responder pelos danos. Ao mesmo tempo, defendeu o direito à presunção de inocência.

“Todo mundo tem o direito de se provar inocente. Nós somos obrigados a fazer a coisa certa, mas, se alguém fizer a coisa errada, pagará pelo que fez”, afirmou.

Sobre corrupção, Lula disse que o problema existe em diferentes países e destacou a capacidade de investigação da Polícia Federal.

Proposta de criação do Ministério da Segurança Pública

Lula também reafirmou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública, atualmente integrado à estrutura do Ministério da Justiça. Segundo ele, a proposta teria como objetivo ampliar a atuação do governo federal e a autonomia dos governadores na área.

O presidente afirmou que, caso seja reeleito, pretende trabalhar em conjunto com governos estaduais e prefeituras, utilizando estruturas como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal.

Lula também defendeu a retomada de territórios dominados pelo crime organizado e afirmou que as ações de segurança devem garantir a punição dos responsáveis, sem atingir pessoas que não tenham envolvimento com os crimes.

Feminicídio

Ao falar sobre feminicídio, Lula defendeu uma atuação conjunta dos três Poderes e reforçou a importância da educação para combater a violência contra as mulheres.

Segundo o presidente, ainda existe uma cultura de controle sobre a vida e as escolhas das mulheres. Ele afirmou que as mulheres devem ter liberdade para conduzir suas próprias vidas.