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Jaime Verruck consolida imagem de técnico de direita e voz do agro em pré-campanha para a Câmara Federal

Ex-secretário de Riedel defende rota bioceânica, agroindustrialização e agenda liberal pró-crescimento em contraste com governo Lula

Jaime Verruck - Foto: IA
Jaime Verruck – Foto: IA

O economista Jaime Verruck, doutor em Desenvolvimento e Planejamento Territorial e ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, vem se firmando como um dos nomes mais técnicos e estruturados da direita sul-mato-grossense na disputa por uma vaga na Câmara Federal pelo Republicanos. Em entrevista ao programa Capital Meio Dia, da Rádio 95, ele detalhou sua visão de longo prazo para o Estado e para o Brasil, reforçando um perfil raro na política nacional: gestor com forte lastro acadêmico, profundo conhecimento do agro e posicionamento ideológico claro.

Ao falar da Rota Bioceânica, Verruck mostrou domínio do tema: explicou que o corredor ligando Campo Grande aos portos chilenos encurta em até 20 dias o trajeto da soja, da carne e de outros produtos até a Ásia, tornando o Mato Grosso do Sul mais competitivo e gerando empregos. Destacou que a infraestrutura física está contratada, com obras em andamento no Paraguai e Chile, e que o foco agora é destravar a parte alfandegária e fitossanitária, incluindo estudos conduzidos pela Receita Federal ao longo de todo o trajeto. Para ele, a rota muda a vida dos municípios ao atrair investimentos, exigir mão de obra qualificada e reorientar planos diretores, como já ocorre em Porto Murtinho.

Na agenda externa, Jaime é claro: a China é hoje responsável por cerca de metade das exportações sul-mato-grossenses, o que traz oportunidades e riscos. Ele cita investimentos concretos, como a instalação de indústria em Três Lagoas ligada à cadeia da celulose, mas alerta que o plano quinquenal chinês aponta para maior autossuficiência em proteínas e grãos, o que pode reduzir a demanda por produtos brasileiros no longo prazo. Por isso, defende que o Brasil deixe de ser apenas “exportador de commodities” e se torne o “Brasil do supermercado”, enviando alimentos e derivados com alto valor agregado.

Ao comentar a disputa entre Estados Unidos e China, Verruck expõe uma crítica direta à falta de projeto nacional do governo Lula: enquanto as grandes potências reorganizam cadeias de valor, o Brasil, segundo ele, continua reativo, sem estratégia clara para aproveitamento das oportunidades em segurança alimentar, transição energética e comércio internacional. Em vez de transformar a relação com Washington e Pequim em guerra ideológica, Jaime defende uma agenda Brasil que mantenha relações estratégicas com ambos, utilizando o peso do país para negociar em temas como combate ao crime organizado e abertura de mercados.

No campo interno, o ex-secretário mostra preocupação com a reforma tributária e com o “dia seguinte” da mudança do sistema de impostos. Ele ressalta que, embora o empresariado veja com simpatia a simplificação, ainda há dúvidas relevantes, especialmente sobre o impacto em serviços e na política de desenvolvimento regional. Para Verruck, será inevitável uma “reforma da reforma” até 2032, sob pena de comprometer a capacidade dos Estados de atrair investimentos. Em Mato Grosso do Sul, aponta três eixos centrais: agropecuária, agricultura familiar e agroindustrialização, com ênfase nas cadeias de celulose, proteína animal (bovina, suína, aves e peixe) e bioenergia (etanol de milho e derivados). Defende também o adensamento industrial com setores metalmecânico e químico, e alerta para a transformação do comércio com a migração acelerada para centros de distribuição e vendas online.

Na citricultura, Jaime mostra o tipo de olhar técnico que o aproxima do agro de direita: a partir de um dado da Fundecitrus sobre o greening em São Paulo, construiu, com o governo, um ambiente de tolerância zero à doença, atraindo empresários e consolidando cerca de 36 mil hectares de laranja em implantação em cidades como Cassilândia, Paranaíba, Aparecida do Taboado, Três Lagoas, Anaurilândia, Campo Grande, Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti. Ele destaca o potencial de geração de empregos e a oportunidade de absorver mão de obra indígena que hoje migra para outros estados para trabalhar com fruticultura, reforçando seu compromisso com inclusão produtiva, não assistencialismo.

Questionado sobre prioridades para a próxima década, Verruck reforça alinhamento com o plano de Eduardo Riedel para 2030, especialmente na logística multimodal – rodovias, ferrovias, hidrovias e rota ao Pacífico –, e admite que o Estado enfrenta “dores do crescimento” em áreas como habitação, com necessidade de mais de 50 mil moradias e aceleração de entregas em parceria com o setor privado. É justamente nessa visão de longo prazo que ele contrasta o atual governo federal, que, em sua avaliação, não apresenta agenda consistente capaz de tirar o Brasil da estagnação e da faixa de renda média.

Como pré-candidato a deputado federal, Verruck evita promessas vazias e explica que está em fase de escuta, construindo um plano de mandato. Mas já deixa claro alguns pilares: foco absoluto em projetos que retomem o crescimento econômico; desburocratização; ambiente favorável ao microempreendedor individual e às pequenas e médias empresas, que respondem por 92% dos negócios no país; e compromisso com o equilíbrio fiscal como condição para reduzir juros e destravar crédito. Para ele, qualquer governo que queira resultados precisará de um Congresso com visão técnica, capaz de apoiar a responsabilidade fiscal e o desenvolvimento, e não apenas disputar narrativas ideológicas.

Na esfera política, Jaime assume sua identidade: define-se como “centro liberal”, rejeitando rotulações simplistas, mas deixando claro que não se identifica com o intervencionismo de esquerda. Admite que a polarização pode ser positiva se servir para clarificar projetos, e critica a radicalização que transforma o debate em guerra de rótulos e ataques pessoais. Valoriza programas sociais bem desenhados, como instrumentos transitórios para tirar pessoas da pobreza, mas rejeita o uso dessas políticas como mecanismo de dependência crônica, crítica habitual do campo de direita ao modelo petista.

Ao ser provocado sobre qual campo político tem mais capacidade de construir um projeto de país de longo prazo, Jaime é direto: o governo atual já mostrou sua agenda e, na avaliação dele, ela é insuficiente para a mudança que o Brasil precisa. Acredita que a verdadeira agenda de transformação está nas propostas de nomes como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que representam, na sua leitura, a possibilidade de um Brasil mais aberto, competitivo e moderno. É um alinhamento que fala diretamente ao eleitor de direita, especialmente em um contexto em que o governo Riedel rompeu com o PT e sinaliza apoio à direita nacional em 2026.

Sobre especulações de bastidor que o colocavam como possível suplente de senador, Verruck foi categórico: não houve convite, não houve conversa e, mesmo que houvesse, seu caminho é disputar a Câmara Federal. A mensagem é clara para coordenadores de campanha e lideranças: Jaime não é um nome “decorativo” para compor chapa; é um quadro técnico e político preparado para representar Mato Grosso do Sul em Brasília com visão estratégica, compromisso com o agro, respeito ao setor produtivo e alinhamento com os valores da direita que rejeita a agenda estatizante e ideológica do PT.

Com esse conjunto de credenciais – formação sólida, experiência de gestão, defesa consistente do agro, discurso liberal e alinhamento com a reconstrução de um projeto de direita para o Brasil – Jaime Verruck se posiciona como um dos poucos nomes capazes de unir técnica e posicionamento claro em um momento em que o país precisa menos de slogans e mais de gente que entenda, de fato, como fazer a economia andar.