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Dois advogados são presos em Campo Grande em operação contra desvio de verba pública para remédios de câncer

Esquema envolvia ex-servidores da SES, empresários e advogados que exploravam pacientes oncológicos vulneráveis para fraudar decisões judiciais

Imagem Ilustrativa - Foto: IA

Dois advogados foram presos na manhã desta quinta-feira (23) em Campo Grande durante uma operação que combate fraudes no fornecimento de medicamentos de alto custo para pacientes com câncer. Victor Guilherme Lezo e Altair Malhada foram conduzidos à delegacia após serem localizados em um escritório de advocacia no Jardim Bela Vista.

A ação contou com 99 agentes da Receita Federal e das polícias civis de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, que cumpriram 21 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária. Além dos dois advogados, ex-servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e empresários estão envolvidos no esquema.

Como funcionava o esquema

O grupo criminoso tinha como alvo pacientes oncológicos em situação de vulnerabilidade que recorriam ao Judiciário para conseguir remédios de alto custo. A operação começava com a manipulação de orçamentos: ex-servidores e empresas inflavam os valores para subsidiar decisões judiciais com cifras acima do preço de mercado.

Com o montante liberado pela Justiça, o grupo desviava 70% do valor sob o pretexto de taxas de assessoria. Para ampliar os lucros, importavam medicamentos sem registro ou garantia de procedência da Vigilância Sanitária — colocando em risco direto a vida dos próprios pacientes que buscavam tratamento. Para encobrir os crimes, documentos falsificados eram apresentados à Justiça na prestação de contas.

A exploração de pessoas gravemente enfermas, usadas como instrumento para desviar recursos públicos, revela a frieza do esquema e a necessidade de punição exemplar aos envolvidos.