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Temer chama Daniel Vorcaro de “figura doce” e minimiza gravidade do Caso Master em meio a rombo bilionário

Ex-presidente admite contrato do próprio escritório com banco em liquidação e relativiza escândalo que já custou mais de R$ 50 bilhões

Michel Temer Foto: Reprodução/Band
Michel Temer Foto: Reprodução/Band

O ex-presidente Michel Temer (MDB) voltou ao centro do noticiário ao falar sobre o fundador do Banco MasterDaniel Vorcaro, pivô de um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL, nesta segunda-feira (6), Temer afirmou que, ao conhecê-lo, achou Vorcaro uma figura “muito doce” e “suave”.

“– Uma coisa é ser uma figura suave e outra coisa são as atitudes, tem que fazer essa distinção. Eu acho que ele exagerou, evidentemente, tanto ele exagerou que está acontecendo o que acontece”, disse, numa tentativa de atenuar o peso das acusações, como se um “exagero” justificasse a maior fraude bancária da história recente.

Temer revelou que seu escritório foi contratado para tentar uma “liquidação privada” do Master, alternativa à liquidação feita pelo Banco Central:
“– Eu não consegui, não tive sucesso nessa atividade, me afastei do caso”, relatou. Ele se recusou a informar o valor do contrato, limitando-se a dizer que “só uma parte” foi paga.

As investigações da Polícia Federal (PF) no Caso Master indicam uma fraude sistemática, com emissão de títulos fictícios e desvios de recursos que deixaram um buraco gigantesco no FGC. Vorcaro está preso preventivamente. Mesmo assim, Temer insistiu na tese de que, no Brasil, “se o sujeito foi acusado disso, tá pré-condenado”:
“– Formalmente não está condenado, mas objetivamente está pré-condenado. Eu digo isso de maneira didática”, afirmou, como se o problema central fosse o “prejulgamento”, e não o rombo bilionário bancado pelo contribuinte e pelos correntistas.

O ex-presidente também comentou o contrato do escritório da família do ministro do STFAlexandre de Moraes, com Vorcaro. A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, encaminhou diretamente ao WhatsApp do banqueiro a minuta de um contrato de R$ 129 milhões em honorários para defender o banco junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.

Temer tentou normalizar o valor:
“– Não era apenas uma consultoria jurídica, eles davam uma consultoria muito mais ampla, até de natureza administrativa, de natureza institucional. Então, cada um cobra o que acha que deva cobrar, não é? Eu não faço essa crítica. Você pode dizer: ‘Bom, foi muito dinheiro, é caro’. Muito bem, foi caro, mas é o preço do escritório”, disse.

Vale lembrar que Alexandre de Moraes foi ministro da Justiça no governo Temer e indicado pelo próprio ao STF em 2017. Em qualquer democracia minimamente séria, a relação entre banqueiro investigado, contratos milionários com famílias de ministros e ex-presidentes que o chamam de “figura doce” seria motivo de escândalo institucional. No Brasil de Lula, Temer e STF ativista, vira quase discurso de praxe – e mais uma prova de como a casta política e jurídica segue blindada enquanto o cidadão comum paga a conta.