Tucano evita vídeo da ex-primeira-dama e trata embate como problema interno da sigla de Bolsonaro

O pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), tentou se afastar da crise aberta entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Questionado sobre o vídeo em que a ex-primeira-dama acusa o enteado de desrespeitá-la ao defender aliança com o grupo do tucano, Ciro afirmou ao G1 que não assistiu à gravação “e nem vai assistir”, classificando o episódio como assunto interno do PL nacional. Segundo ele, o foco segue em um “projeto de emancipação do Ceará”.
Apesar do tom distante, Ciro é peça central nesse conflito. Em dezembro, Michelle criticou publicamente a decisão do PL cearense de apoiá-lo ao governo, afirmando que não aceita acordo com “um homem que é contra o maior líder da direita”. A reação de Flávio veio nas redes, acusando a madrasta de atropelar a vontade de Jair Bolsonaro.
No vídeo, Michelle relata que, ao procurar o senador por telefone, foi tratada com rispidez:
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou, dizendo que desde então ele não a procurou novamente.
Michelle acusa Ciro de ser “o principal responsável” pelo processo que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro, lembrando que, durante a pandemia, o tucano o chamou de “genocida”, “ladrão de galinhas, corrupto, burro e jumento” e teria se alegrado com as condenações do 8 de janeiro. Ela também criticou declaração recente em que Ciro disse à Veja que “Bolsonaro e Lula são iguais”, apontando que é “questão de tempo” até ele se voltar contra a direita.
Enquanto Ciro tenta manter o discurso de tranquilidade, o episódio expõe mais uma fissura no campo conservador, com Michelle reforçando apoio a Eduardo Girão (Novo-CE) e aprofundando o racha dentro do PL num cenário em que a esquerda, apesar do desgaste do governo Lula, agradece a divisão dos seus principais opositores.





