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Genial/Quaest: 65% dizem que isenção do IR até R$ 5 mil não trouxe benefício real ao bolso

Medida símbolo do governo Lula frustra expectativa e tem pouco impacto percebido na renda da população

Foto: IA
Foto: IA

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) revela que a propaganda em torno da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não se traduziu em sensação de alívio no bolso da maioria dos brasileiros. Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados disseram que não foram beneficiados pela medida, enquanto apenas 32% afirmaram ter sentido algum benefício. Em maio, os números eram praticamente os mesmos: 67% não se diziam beneficiados e 30% acreditavam ter sido alcançados pela mudança.

Os dados contrastam de forma gritante com o clima criado pelo governo federal no fim do ano passado. Em outubro, quando o tema foi anunciado com pompa pela equipe econômica de Lula, 61% diziam acreditar que seriam beneficiados, contra 35% que achavam que não. Ou seja, a expectativa foi alta, mas a percepção prática foi de frustração para a maior parte da população, especialmente a classe média trabalhadora que continua sufocada por tributos e pelo custo de vida.

Questionados sobre a renda após a isenção, 42% afirmaram não ter sentido nenhuma diferença, número muito próximo dos 45% registrados em maio. Para 34%, a renda aumentou, mas pouco (eram 33% em maio). Só 23% disseram que a renda aumentou significativamente, ante 21% no levantamento anterior – porcentual bem distante da narrativa oficial de que a medida seria um divisor de águas no orçamento das famílias.

Na prática, a pesquisa expõe o descompasso entre o discurso do governo Lula e a realidade econômica dos brasileiros: muito marketing em cima de uma mudança limitada, que não enfrenta o peso da inflação, dos juros altos e da carga tributária sobre consumo e serviços. Enquanto o Planalto tenta vender a isenção como grande conquista popular, a maioria do eleitorado simplesmente não sente o efeito no dia a dia.

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 9 e 13 de abril, com 2.004 entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-09285/2026.