Maioria dos apostadores recebe de um a dois salários mínimos e usa o próprio salário para sustentar hábitos de jogo

Um levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises mostra que moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro gastam cerca de R$ 2,2 bilhões por ano em apostas online – dinheiro que deixa de circular no comércio local e em setores produtivos da economia real. O valor é superior a três vezes a movimentação estimada para as compras de Natal, num contexto em que o governo Lula continua aumentando impostos enquanto ignora o avanço desse “buraco negro” financeiro nas famílias de baixa renda.
A pesquisa, realizada entre 22 e 25 de junho com 1.024 pessoas, aponta que 22,7% dos moradores já apostaram em plataformas virtuais. O gasto médio por apostador é de R$ 1,2 mil por ano. As bets esportivas são a modalidade mais popular, citadas por 60,9%, seguidas pelo “tigrinho” e outros jogos de cassino online, mencionados por 49,4% – muitos usuários, aliás, participam de mais de um tipo de aposta.
O perfil dos apostadores revela um público predominantemente masculino (65,6%), com maior concentração nas faixas de 25 a 34 anos (36,1%) e 18 a 24 anos (24,8%). Em termos de escolaridade, 66,9% têm ensino médio completo e 12,9% terminaram o ensino superior. O dado mais preocupante está na renda: 36% recebem de 1 a 2 salários mínimos, e 19,7% ganham de 2 a 3 salários, ou seja, a maior parte dos apostadores está na base da pirâmide, sacrificando orçamento de sobrevivência em troca de promessa de dinheiro fácil.
A ilusão do “ganho rápido” também aparece na motivação: 48,7% apostam esperando retorno financeiro, sendo que 28,3% veem a aposta como chance de ganhar rápido ou até como “investimento”. Outros 20,4% dizem buscar renda extra, e, nesse grupo, 70% admitem usar o próprio salário nas apostas – um sinal de vulnerabilidade econômica e falta de educação financeira, alimentada por um ambiente de propaganda sedutora e regulação ainda frouxa.
O estudo expõe, ainda, um grave problema de segurança: 48,5% dos que já apostaram não verificam se o site é legalizado antes de jogar, abrindo espaço para golpes e plataformas clandestinas.
Diante desse quadro, a Prefeitura do Rio de Janeiro – em contraste com a inércia do governo federal – proibiu, desde 13 de julho, a veiculação de publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos, alcançando painéis externos, mobiliário urbano e áreas sujeitas a autorização municipal. Além disso, as casas de apostas esportivas agora são obrigadas a exibir alertas do Ministério da Fazenda em suas campanhas, advertindo que “apostar pode causar dependência, faz você perder dinheiro e não é investimento” – um lembrete óbvio, mas necessário, em tempos em que muitos jovens tratam o “tigrinho” como atalho para enriquecer.





