Alta ligada à guerra no Oriente Médio expõe fragilidade da política energética e reacende debate sobre combustíveis caros no Brasil

A guerra no Oriente Médio já começa a pesar diretamente no bolso do brasileiro. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgado no sábado (28), mostra que o diesel S10 teve alta média de 24,3% entre 28 de fevereiro e 28 de março, em pleno governo Lula, que prometia combustível mais barato. Nesse intervalo, o litro do diesel saltou de R$ 6,09 para R$ 7,57, acompanhando a valorização de 49% do petróleo no mercado internacional desde o início do conflito.
O impacto é imediato sobre fretes, transporte de cargas e, consequentemente, sobre o custo de alimentos e produtos básicos, pressionando ainda mais a inflação. O maior preço registrado pela ANP foi em São Paulo, onde um posto vendeu o litro a R$ 9,99. O menor valor foi encontrado no Rio de Janeiro, a R$ 5,69, o que evidencia a disparidade regional e a dificuldade do governo federal em oferecer previsibilidade ao setor.
A gasolina também ficou mais cara, embora em menor intensidade. Segundo a ANP, o preço médio aumentou 7,9% no mesmo período, chegando a R$ 6,78 por litro. De novo, São Paulo registrou o maior valor: em um posto de Guarujá, o combustível foi encontrado a R$ 9,39 o litro, patamar incompatível com a renda média da população e com o discurso de que “tudo ficaria melhor” com a volta do PT ao poder.
A agência informou ainda que 342 agentes do setor foram fiscalizados, incluindo 78 distribuidoras. A operação resultou em 16 autos de infração por suspeita de preços abusivos. Em um caso, técnicos identificaram aumento de 277% na margem bruta da venda de diesel. As empresas autuadas responderão a processos administrativos. Enquanto isso, caminhoneiros, produtores e consumidores seguem arcando com a conta de uma combinação explosiva: crise internacional, impostos e uma política energética vacilante em Brasília.





