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Soraya Thronicke pode ser fiel da balança e derrubar reeleição de Nelsinho e eleger Capitão Contar ao Senado em MS

Ao atrair o segundo voto petista, senadora ligada a Lula tende a enfraquecer Nelsinho e reforçar caminho da direita bolsonarista

Soraya Thronicke e Capitão Contar - Foto: Marcos Serra Lima/g1 e Reprodução Redes Sociais
Soraya Thronicke e Capitão Contar – Foto: Marcos Serra Lima/g1 e Reprodução Redes Sociais

A disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul caminha para um cenário curioso: quem pode sepultar a reeleição de Nelsinho Trad (PSD) não é a direita, mas justamente uma senadora que saiu da “onda Bolsonaro” e hoje atua como aliada de Lula – Soraya Thronicke (Podemos). A configuração do voto duplo indica que ela pode ser a responsável por esvaziar o segundo voto do eleitor petista que iria para Nelsinho e, com isso, abrir espaço para Capitão Contar (PL).

Com o PT lançando Vander Loubet, o primeiro voto do eleitor de esquerda tende naturalmente a ir para o petista. A dúvida é o segundo voto. Esse eleitor dificilmente optará por Capitão Contar, identificado com o bolsonarismo raiz. A escolha ficaria entre Reinaldo Azambuja (PL) e Nelsinho Trad. Porém, Azambuja hoje preside o PL em MS, o que o coloca, aos olhos da militância de esquerda, como o segundo nome de maior rejeição, atrás apenas de Contar.

Nesse contexto, sobram dois nomes mais aceitáveis para o campo lulista: Nelsinho Trad e Soraya Thronicke. E é aí que Soraya se torna um problema direto para Nelsinho. Eleita na esteira do bolsonarismo em 2018, ela rompeu com a direita logo no início do mandato e consolidou o afastamento na CPI da Covid, a “CPI do Circo”, que produziu muito espetáculo e nenhum resultado concreto. Depois disso, se alinhou ao governo Lula, passou a frequentar eventos da esquerda e hoje é vista como nova madrinha do grupo.

Esse movimento dá a Soraya grande chance de capturar parte do segundo voto do eleitor petista que, em outro cenário, iria para Nelsinho. Se ela herdar entre 50 e 100 mil votos desse segmento, tende a não se eleger, mas retira Nelsinho do páreo e joga a segunda vaga no colo de Capitão Contar.

Com o apoio de dezenas de prefeitos, vereadores e deputados, Reinaldo Azambuja desponta como favorito a uma das cadeiras. Já Contar larga com a força da direita mais mobilizada, com potencial próximo de 400 mil votos. Se conseguir agregar entre 50 e 100 mil votos do centro e de eleitores cansados do PT e do governo Lula, o cenário favorece sua eleição. O paradoxo é claro: a mesma Soraya que rompeu com o bolsonarismo pode acabar sendo a peça-chave para consolidar a vitória de um dos principais representantes da direita em Mato Grosso do Sul.