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Delegado que indiciou Bolsonaro é nomeado assessor de Moraes e escancara promiscuidade entre PF e STF

Investigador do 8/1, joias e cartão de vacinação agora trabalhará diretamente no gabinete do ministro

Gustavo Moreno/ STF
Gustavo Moreno/ STF

O delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor, responsável por inquéritos que miraram Jair Bolsonaro (PL) e a direita, foi nomeado nesta segunda-feira (9) assessor do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A portaria, assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, saiu no Diário Oficial da União e formaliza a transferência do delegado para o gabinete do próprio magistrado sob cuja relatoria ele já atuava.

Moraes havia solicitado no início do mês a movimentação de Shor da PF para o Supremo. O delegado ganhou destaque exatamente pela condução de investigações relatadas por Moraes, o que pavimentou a aproximação profissional entre os dois. Ele comandou o inquérito que embasou a condenação de Bolsonaro e aliados por “tentativa de golpe de Estado” e teve papel central nas apurações dos atos de 8 de janeiro de 2023, alvos de forte contestação por parte da direita.

Advogados de defesa, em especial Jeffrey Chiquini, criticaram reiteradas vezes a atuação de Shor, acusando-o de produzir relatório com informações falsas sobre o ex-assessor Filipe Martins. Mesmo assim, o delegado foi prestigiado e agora é absorvido pelo próprio sistema que deveria fiscalizar com isenção.

Além dos inquéritos rotulados como “golpistas”, Shor também atuou nas investigações sobre o cartão de vacinação de Bolsonaro e no caso das joias sauditas, sempre sob supervisão direta de Moraes como relator. Especialista em contrainteligência, ele passou em fevereiro do ano passado a chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, irá auxiliar o ministro justamente em inquéritos criminais sensíveis, aprofundando a percepção de alinhamento político-jurídico em um momento em que o governo Lula e o Supremo já são acusados de agir em bloco contra a oposição.