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Ego da direita acirra disputa em Minas entre Cleitinho e Nikolas, dividido entre ele e Mateus Simões

Senador diz liderar pesquisas e cobra unidade, enquanto deputado flerta com vice do PSD

Cleitinho - Jefferson Rudy/Agência Senado
Cleitinho – Jefferson Rudy/Agência Senado

A disputa pelo protagonismo da direita em Minas Gerais já deixou de ser mera articulação de bastidor e hoje tem nome e sobrenome: Cleitinho Azevedo x Nikolas Ferreira. De um lado, o senador do Republicanos, pré-candidato ao governo, se apresenta como líder nas pesquisas e fala em “unir a direita”. Do outro, Nikolas resiste em embarcar no projeto e sinaliza preferência por Mateus Simões (PSD), vice-governador e nome ligado ao grupo de Romeu Zema.

Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira (10), Cleitinho revelou ter enviado, no fim do ano passado, um áudio a Nikolas propondo uma composição entre os nomes de direita em Minas, baseada em quem estivesse melhor nas pesquisas.

“Com toda humildade, estou pronto para unir com todos os políticos de direita. Mas, as pesquisas mostram a realidade de Minas hoje, que o povo quer”, afirmou.

O Senador diz aceitar apoio tanto de Nikolas quanto de Mateus Simões, mas deixa claro que não pretende abrir mão da cabeça de chapa enquanto seguir na frente.

“Eu estou disposto a me unir. Já falei com o Nikolas e com o próprio Mateus. Fiz vários gestos para o Nikolas, porque eu tenho quatro anos de senador. Eu disse que se ele quisesse vir, eu o apoiaria. Se é para unir a direita, não entendo qual o problema de eu ser candidato. Por que eu tenho que desistir se eu apareço hoje com 45%? Por que eu tenho que desistir se o povo mineiro está me querendo? Agora, se chegar em agosto, com outro candidato da direita na minha frente, eu posso apoiar eles”, explica Cleitinho.

Nos bastidores, a leitura é de que o impasse passa menos por “projeto de direita” e mais por ego e espaço político. Nikolas, estrela do PL e da militância conservadora, reluta em se alinhar a um palanque em que não teria o controle, flertando com o nome de Mateus e do grupo do PSD em Minas. Cleitinho, por sua vez, tenta se consolidar como o anti-PT do estado, mas cobra reconhecimento interno.

“Se o Nikolas não quiser me apoiar, não tem problema. Se ele achar que tem que apoiar o Mateus, não vou deixar de admirá-lo. Estou aqui para escutar e trabalharmos juntos. No fim do ano passado, mandei um áudio para ele, falando que tinha interesse em ser candidato e chamando ele para trabalhar junto”, completou o senador.

Enquanto o PT observa à distância, a direita mineira desperdiça tempo e energia em uma disputa de liderança que pode custar caro na eleição.