Imunizante Calixcoca recebe R$ 18 milhões e pode chegar ao SUS em até quatro anos

A vacina Calixcoca, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para combater a dependência em crack e cocaína, está prestes a entrar na fase de testes em humanos. O imunizante foi criado para bloquear a sensação de euforia provocada pelas drogas, rompendo o ciclo de compulsão no cérebro, que destrói famílias e sobrecarrega o sistema público de saúde.
Os estudos em camundongos já demonstraram segurança e eficácia na indução de anticorpos específicos, um passo fundamental antes da avaliação em voluntários. Segundo os pesquisadores, a expectativa é de que, após a conclusão dos ensaios clínicos e a aprovação da Anvisa, a vacina possa estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em até quatro anos.
Para viabilizar essa nova etapa, o governo de Minas Gerais destinou pouco mais de R$ 18 milhões ao projeto. Já o Ministério da Educação confirmou que o tratamento, que conta com patente internacional, está na fase final de análise documental para autorização dos testes em humanos.
A Calixcoca não é uma “cura mágica”, mas surge como mais uma ferramenta importante no enfrentamento à dependência química, hoje agravada por políticas lenientes e por um Estado que muitas vezes falha em oferecer tratamento digno e estruturado. Se os resultados em humanos confirmarem o que foi observado em laboratório, o Brasil poderá liderar uma tecnologia inédita na rede pública, com potencial para reduzir violência, internações e gastos bilionários com as consequências do vício.





