
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou nesta quinta-feira (2), em entrevista à Rádio Gaúcha, que Michelle Bolsonaro não quer participar da campanha de Flávio Bolsonaro e que é possível que ela desista da disputa por uma vaga ao Senado. Segundo ele, “eu sinto que ela não quer participar”, e a situação entre os dois estaria, agora, “resolvida”.
Valdemar relatou que, após reunião com Flávio na quarta-feira (1º), a campanha segue normalmente: “O Flávio está tocando a campanha para frente, a Michelle resolveu sair da presidência do PL Mulher e nós estamos tocando a nossa vida”. Michelle comunicou pessoalmente, na terça-feira (30), que gostaria de deixar o comando do PL Mulher e sinalizou que “talvez não fosse candidata a senadora”. Ele reconheceu que sua saída é uma perda, afirmando: “Ela fez um trabalho no PL Mulher que eu não sei se outra mulher teria condições de fazer”.
Na prática, porém, a decisão de Michelle de sair de cena é vista como correta e necessária. Seus dois vídeos recentes, atacando Flávio e expondo brigas familiares, bagunçaram palanques do PL em Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, alimentando confusão justamente quando o partido precisava de unidade contra Lula e o PT. Em MS, o impasse chegou ao fim apenas ontem, 1º/7, quando Valdemar anunciou Capitão Contar como candidato do PL ao Senado, enterrando de vez as chances de Marcos Pollon, nome que Jair Bolsonaro havia citado em carta após forte lobby de Michelle enquanto ele estava preso.
Valdemar também criticou Michelle por ter compartilhado vídeo de Anthony Garotinho sobre festas ligadas ao Banco Master: “Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade. O posicionamento da presidente Michelle, e eu tenho ela no melhor conceito do mundo, foi desaprovado”, disse. Ele explicou que Flávio reconhece que não deveria ter procurado Vorcaro depois da prisão, mas ressaltou que o Banco Master não estava sob acusação quando o dinheiro foi solicitado.
O embate público entre Michelle e Flávio começou em 24 de junho, quando a ex-primeira-dama divulgou dois vídeos em que diz ter sido “maltratada e humilhada” pelo enteado, criticando, entre outros pontos, a tentativa de aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. Ao rebater “fofoqueiros vazadores”, Michelle afirmou que não fez o depoimento para ser candidata no lugar de Flávio.
Com sua decisão de não participar da campanha, Michelle finalmente deixa de tensionar um projeto nacional que precisa estar voltado a enfrentar a esquerda e não às crises internas provocadas por ela própria.





