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Intervenção no Consórcio identifica mais de R$ 20 milhões em dívidas e falhas operacionais desde 2014

Equipe técnica aponta sistema de gestão ultrapassado, frota defasada e possível caducidade do contrato em Campo Grande

Foto: IA
Foto: IA

O processo de intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo urbano de Campo Grande, já começou a revelar a dimensão do problema que afeta diariamente os usuários. Em levantamento preliminar, a equipe nomeada pela prefeitura identificou dívidas em atraso superiores a R$ 20 milhões com instituições financeiras e fornecedores, apesar da arrecadação milionária mensal do sistema.

O balanço inicial foi apresentado nesta segunda-feira (6) pelo advogado Aléxandro de Oliveira, responsável por conduzir os trabalhos da intervenção administrativa, iniciada em 16 de junho de 2026, com prazo legal de 180 dias para conclusão.

De acordo com Aléxandro, cerca de R$ 14 milhões correspondem a débitos vencidos com o sistema financeiro, enquanto o valor restante envolve atrasos com diversos fornecedores, incluindo o setor de combustíveis. Paralelamente, os primeiros relatórios apontam falhas graves na gestão operacional, decorrentes do uso de sistemas de gestão ultrapassados, que comprometem o fluxo interno, a economicidade e a qualidade do serviço prestado.

frota de ônibus também foi classificada como ultrapassada, exigindo a elaboração de um planejamento para substituição futura dos veículos, em linha com o que já havia sido indicado pela CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal.

Segundo o interventor, os problemas não são novos: “A gente já constatou que desde 2014 já tinha atraso de tributos. Mas ainda é muito preliminar, a gente tem que fazer realmente todo esse histórico, levantar tudo certinho, mas parece que o descumprimento já tem há bastante tempo”, afirmou Aléxandro de Oliveira, evidenciando anos de tolerância com a má gestão da concessionária.

A equipe técnica cruzou os dados da intervenção com o relatório final da CPI do Transporte, reforçando a conclusão dos vereadores de que qualquer pedido de reequilíbrio econômico-financeiro deve considerar “os dois lados da moeda”, abatendo investimentos e obrigações que o Consórcio deixou de cumprir ao longo do contrato.

caducidade do contrato – penalidade máxima que leva à quebra da concessão – é tratada como uma opção legal concreta pela equipe jurídica. No entanto, Aléxandro ressalta que a medida exige critérios rigorosos e provas sólidas, para evitar insegurança jurídica e garantir que a eventual saída do Consórcio Guaicurus seja bem fundamentada.

“Uma vez estabilizada a prestação de serviço, a gente vai se aprofundar naquilo que é um dos objetos da intervenção, que é fazer toda essa parte de auditoria contratual e financeira da empresa”, explicou. As informações levantadas servirão de base para o relatório final, que trará as recomendações necessárias para que a prefeita Adriane Lopes tome a decisão sobre o futuro da concessão – passo decisivo para corrigir distorções acumuladas desde 2014 e devolver ao campo-grandense um transporte à altura do que se espera de uma gestão responsável.