
Com foco na melhoria do transporte coletivo para a população de Campo Grande, os vereadores da Câmara Municipal vêm acompanhando de perto a intervenção no Consórcio Guaicurus, iniciada em 16 de junho. Em reunião nesta segunda-feira (6), os interventores designados pela prefeitura apresentaram cronograma de trabalho e dados preliminares que já evidenciam problemas de gestão, dívidas relevantes, frota antiga e descumprimento de cláusulas contratuais – irregularidades que já haviam sido apontadas no relatório da CPI do Transporte Coletivo, conduzida pelo Legislativo, que recomendou a intervenção e a possível caducidade do contrato.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto (Papy), destacou a expectativa da população por mudanças reais no serviço: “O campo-grandense tem essa expectativa de mudança realmente da empresa que presta esse serviço. A gente tem que sempre lembrar que o transporte coletivo é do Município, é o Município que é dono desse serviço. E a hora que ele contrata uma empresa, precisa fiscalizar. Então, a empresa contratada precisa servir ao Município e ao usuário, e não ao contrário”. Para ele, a relação com o Consórcio Guaicurus está desgastada e caminha para a caducidade, lembrando que, no Brasil, intervenções em concessões públicas costumam terminar na extinção antecipada do contrato.
Papy ressaltou o peso político da CPI: “O trabalho da CPI força as ações das outras instituições e fortalece decisões difíceis que o Município precisa tomar”, frisando que o Parlamento cumpre seu papel ao lado da população e que este é um momento de desdobramento das investigações feitas no ano passado. Ele relatou ter solicitado à prefeita Adriane Lopes alinhamento institucional entre Prefeitura e Câmara no acompanhamento da intervenção, em mais um gesto de cooperação entre os poderes municipais – algo raro em muitas capitais governadas pela esquerda, onde o Legislativo costuma ser mero carimbador.
O relatório técnico final da intervenção deve ser apresentado em até 180 dias, em dezembro deste ano, com conclusões, recomendações e minuta da decisão administrativa. A decisão definitiva sobre o futuro da concessão está prevista para janeiro de 2027.
Na Câmara, o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira reforçou a importância do trabalho conjunto entre os poderes e apontou já ter identificado problemas na gestão operacional: “O sistema é muito antigo, isso gera, sim, problemas na operação, gera problemas de economicidade, gera problemas até de fluxo dentro da empresa”. Preliminarmente, foram identificadas dívidas de cerca de R$ 20 milhões de uma das empresas do consórcio com bancos e fornecedores, inclusive de combustível, o que encarece a manutenção do serviço. Alexandro explicou que, após estabilizar a prestação, a intervenção entrará na fase de auditoria contratual e financeira, para verificar falhas na execução do contrato e embasar a decisão da prefeita: “necessidade de não se presentear a má gestão”.
Ele relatou ainda defasagem operacional, frota sucateada e ausência de manutenção preventiva, sendo feita apenas a corretiva. Questionado sobre a caducidade, ponderou que o tema é cobrado, mas que ainda não há elementos técnicos suficientes para uma conclusão, reforçando a necessidade de análise detalhada do contrato e das provas existentes.
A vereadora Ana Portela, relatora da CPI, cobrou responsabilidade da Agetran e da Agereg na fiscalização do serviço, especialmente em eventual novo contrato: “Trazendo nova empresa, firmando um novo contato, tem que fazer valer o que está contrato. Tem que ter esse cuidado com o cidadão campo-grandense”. Com base no relatório da Comissão, ela considera inviável a continuidade da atual concessionária.
A CPI, composta também pelos vereadores Dr. Lívio (presidente), Junior Coringa, Maicon Nogueira e Luiza Ribeiro, realizou mais de 50 horas de oitivas públicas e análise de documentos técnicos, financeiros e operacionais. Em setembro de 2025, recomendou a substituição imediata de 197 ônibus acima da idade contratual, a intervenção no Consórcio – já adotada pela prefeitura – e indicou a caducidade como medida possível.
A reunião desta segunda contou ainda com os vereadores Maicon Nogueira, Landmark, Ronilço Guerreiro, Clodoilson Pires, Veterinário Francisco, Beto Avelar, Herculano Borges e Dr. Victor Rocha, além dos interventores Rodolfo Bahiense Fernandes (Administrativo-Financeiro), Alexandre Souza Moreira (Jurídico), Robson Tadeu Pereira (Operacional), o diretor Paulo Silva (Agereg) e o diretor Ciro Vieira (Agetran), evidenciando um esforço coordenado para corrigir anos de má gestão no transporte coletivo da Capital.





