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Justiça inclui Neno Razuk na lista de procurados da Interpol e aponta liderança em organização criminosa violenta em MS

Ex-deputado do PL é alvo de mandado de prisão preventiva e suspeito de comandar grupo ligado a roubos, lavagem de dinheiro e jogo do bicho

Neno Razuk - Foto: Luciana Nassar
Neno Razuk – Foto: Luciana Nassar

A Justiça de Mato Grosso do Sul oficializou o pedido para que o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) seja incluído na lista de procurados da Interpol. A decisão, publicada no Diário Oficial da Justiça, destaca indícios de que o parlamentar foragido está fora do Brasil, o que justificou o acionamento da polícia internacional.

“Havendo indicativos de que supostamente se encontra fora do país, oficie-se ao superintendente regional da Polícia Federal no Estado de Mato Grosso do Sul para que adote as providências necessárias junto à Interpol visando à inclusão do mandado de prisão preventiva expedido em desfavor de Roberto Razuk Filho na Difusão Vermelha”, registra o despacho.

Neno é procurado desde o início do mês, após ter o mandato cassado e perder o foro privilegiado. A prisão preventiva foi autorizada no contexto da quarta fase da Operação Sucessione, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), deflagrada no ano passado, quando 20 pessoas foram presas, entre elas o próprio ex-deputado e os filhos Rafael e Jorge Razuk.

Segundo a denúncia, o grupo está ligado à prática de organização criminosa, roubos, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal de exploração de jogos de azar, além de outras infrações correlatas. O Gaeco afirma que “a organização criminosa” é liderada por Neno Razuk, cuja família é conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho, e teria passado a ocupar o vácuo deixado pelo desmantelamento da organização de Jamil Name Filho.

A denúncia descreve pelo menos três assaltos semelhantes contra os chamados “recolhes” – motociclistas responsáveis por arrecadar, diariamente, o dinheiro do jogo do bicho para outra organização, a MTS, de São Paulo. Os crimes teriam ocorrido no dia 16.10.2023, “à luz do dia”, com uso de pistolas, vários veículos e concurso de agentes, em típica ação de grupo estruturado e violento, o que chamou a atenção das autoridades e levou à abertura da ação penal.

Ministério Público Estadual (MPE) ressalta que os crimes atribuídos à Família Razuk não são fatos isolados, mas parte de um histórico “de conhecimento público e notório” de envolvimento com o jogo do bicho e ilícitos conexos, tendo como figura central o patriarca Roberto Razuk, atuante há décadas em Dourados/MS, base eleitoral de Neno e da ex-prefeita Délia Razuk.