Quase metade da população adulta está com o nome sujo; dívida média por pessoa chega a R$ 6.728,51

O Brasil atingiu em maio a maior marca histórica de inadimplência: 82,8 milhões de pessoas com dívidas em atraso, segundo levantamento da Serasa divulgado nesta terça-feira (5). O número representa 49% da população adulta e cresceu 1,35% em relação ao levantamento de fevereiro.
O valor médio da dívida por pessoa subiu para R$ 6.728,51, alta de 1,98% no período. No total, o país acumula mais de 338 mil dívidas, somando R$ 557 bilhões em débitos em atraso. Cada inadimplente carrega, em média, quatro dívidas de R$ 1.647,64 cada.
O principal motivo apontado pelos próprios devedores é o desemprego ou a perda de renda, citado por 38% dos entrevistados — dado que contrasta diretamente com o discurso do governo Lula sobre crescimento econômico e geração de empregos. Outros fatores incluem gastos de emergência (16%), desorganização financeira (13%) e ajuda a familiares (10%).
Das 1.904 pessoas ouvidas pela Serasa, 27,3% devem a instituições financeiras, como bancos e cartões de crédito — principal alvo do Desenrola Brasil 2.0, lançado pelo governo federal nesta segunda (5). O programa oferece renegociação de dívidas de até R$ 15 mil, em até 48 parcelas, com taxa de 1,99% ao mês, para quem recebe até cinco salários mínimos. Contas básicas como água e luz representam outros 21% do volume total de dívidas no país.
O recorde de inadimplência chega justamente no dia em que o governo tenta vender a imagem de um país em recuperação financeira — a contradição não poderia ser mais evidente.





