Auditoria analisou 69 instituições e revelou que a federal sul-mato-grossense gastou R$ 4,5 milhões em cinco anos sem preencher todas as vagas ofertadas

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi apontada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como a única entre 69 universidades federais auditadas a realizar campanhas sistemáticas de publicidade para atrair novos alunos — e ainda assim não conseguiu preencher todas as vagas disponíveis. O relatório, divulgado neste mês de abril, mostra que a instituição gastou mais de R$ 4,5 milhões em recursos públicos com divulgação entre 2019 e 2023.
Para o ingresso deste ano, foram ofertadas 9,5 mil vagas em 128 cursos distribuídos por 10 municípios de Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, 760 vagas ficaram ociosas — um déficit de ocupação de cerca de 8%, abaixo da média nacional, mas ainda preocupante diante do volume investido.
O documento do TCU destacou: “A UFMS é a única universidade federal que realizou alguma campanha de divulgação de forma sistemática nos últimos 4 anos registrada no Sicom.”
O problema não é exclusivo da UFMS. O Censo da Educação Superior registrou queda de 17% na ocupação de vagas novas nas universidades federais entre 2019 e 2022, situação que persistiu até 2024.
Em resposta, a UFMS destacou sua variedade de processos seletivos — vestibular, PASSE, Sisu, seleção para atletas, olimpíadas do conhecimento e ingresso para maiores de 60 anos — além da revisão de projetos pedagógicos, redução de cargas horárias e oferta de auxílios e bolsas de permanência. “Com uma taxa de 92% de ocupação, a UFMS enfrenta maior desafio nos cursos de licenciatura”, reconheceu a instituição.
O TCU estabeleceu 19 obrigatoriedades para as universidades, entre elas ajustes no Sisu, ampliação do ensino a distância, adoção do modelo híbrido e ações permanentes de divulgação institucional.





