Ministro do STF deu 60 dias à PF para investigar suposta injúria após senador expressar esperança de que petista fosse delatado pelo ditador venezuelano

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposto crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão tem como alvo uma publicação feita pelo parlamentar em janeiro deste ano, quando ele expressou a esperança de que Lula fosse delatado pelo ditador venezuelano Nicolás Maduro, recém-capturado pelos Estados Unidos.
Na postagem, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas.”
Ao justificar a abertura do inquérito, Moraes afirmou que “trata-se, portanto, de publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas, por meio da qual se imputam fatos criminosos ao presidente da República.” Os autos foram encaminhados à Polícia Federal, com prazo de 60 dias para providências.
A decisão é mais um capítulo do padrão que a oposição e juristas críticos ao STF denunciam há anos: o uso do aparato judicial para silenciar adversários políticos do governo Lula. Enquanto declarações e atos do próprio Executivo raramente chegam ao crivo do Supremo, críticas feitas por parlamentares de oposição nas redes sociais viram caso de polícia em tempo recorde. No caso de Flávio, que desponta como pré-candidato à Presidência em 2026, a interpretação política da decisão é inevitável: o inquérito chega em momento de crescimento do senador nas pesquisas e de articulação de sua candidatura.





