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João Henrique anuncia saída do PL e prepara filiação ao Novo para disputar Governo de MS

Deputado mira candidatura majoritária em 2026 para se projetar a prefeito de Campo Grande em 2028

Deputado João Henrique - Foto: Print Youtube
Deputado João Henrique – Foto: Print Youtube

O Deputado Estadual João Henrique Catan anunciou oficialmente, nesta quinta-feira (5), na tribuna da Assembleia Legislativa, que está deixando o Partido Liberal (PL). O destino, como ele próprio deixou subentendido, será o Novo, sigla que deve abrigar sua candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul ainda neste ano.

No comunicado em plenário, Catan fez questão de marcar o rompimento com o PL e sinalizar o novo rumo:

“..Deixando as fileiras do Partido Liberal para encontrar um NOVO caminho para Mato Grosso do Sul, Sr. Presidente. Então, à direita, todos aqueles que queiram verdadeiramente lutar, perseguir os objetivos ideais que acreditam terão espaço junto conosco, Sr. Presidente. Obrigado. Era o comunicado que eu deveria fazer, regimental, porque eu ocupo o espaço aqui nessa casa dedicado ao Partido Liberal. Obrigado.”

De gravata alaranjada, cor do Novo, o deputado praticamente oficializou a migração. A filiação à nova sigla deve ocorrer ainda este mês, segundo apuração do Correio do Pantanal, já com o compromisso de lançá-lo candidato ao Governo do Estado em 2026.

João Henrique foi o segundo mais votado do PL para deputado estadual em 2022, com 25.914 votos, e vinha tentando consolidar espaço próprio na direita sul-mato-grossense. Em 2024, buscou ser candidato a prefeito de Campo Grande, mas a direção do partido optou por apoiar o tucano Beto Pereira (PSDB). Derrotado internamente, Catan recuou da capital e concentrou esforços em Paranaíba, sua base eleitoral, tentando eleger o prefeito local – também sem sucesso.

Agora, o plano é mais ousado – e arriscado. Catan pretende concorrer ao Governo do Estado pelo Novo para “fazer nome” em nível estadual, acumulando visibilidade e recall com foco em 2028, quando deve tentar novamente a Prefeitura de Campo Grande. Nos bastidores, porém, ninguém ignora um dado central: hoje, ele não tem qualquer perspectiva real de derrotar o atual Governador Eduardo Riedel (PP).

Riedel, que governa em sintonia com a Prefeitura de Campo Grande e com a maioria das prefeituras do interior, concentra praticamente todo o establishment político: prefeitos, deputados, senadores, vereadores e boa parte das estruturas partidárias. Soma-se a isso o peso da máquina estadual e de uma imprensa amplamente alinhada ao projeto de continuidade. Enfrentar esse bloco com a estrutura enxuta do Novo é, nas palavras de um aliado, “quase um salto no escuro”.

Além disso, o Novo dificilmente conseguirá montar chapas competitivas para deputado estadual e federal em Mato Grosso do Sul. A chance de eleger representantes proporcionais é considerada mínima, o que torna a empreitada de João Henrique ainda mais solitária. Se não tiver uma votação expressiva ao Governo, corre o risco de ver sua força política encolher de forma drástica num ambiente onde legenda forte e grupo estruturado fazem toda a diferença.

Por outro lado, Catan construiu notoriedade recente ao usar de forma intensa a tribuna da Assembleia para defender os mais de 200 mil beneficiários da Cassems. Durante meses, ele denunciou contratos firmados pelo presidente Ricardo Ayache, apontando supostos superfaturamentos, participação societária em empresas contratadas e possível enriquecimento incompatível com a renda declarada. Esse discurso anticorporativista e anti-“casta da saúde” lhe rendeu apoio em segmentos da classe média indignada com privilégios e aumentos de custos na saúde suplementar estadual.

Enquanto João Henrique rompe com o PL, o partido – agora sob comando do ex-Governador Reinaldo Azambuja – se organiza para montar talvez a chapa mais robusta à Assembleia Legislativa em 2026. Devem compor a lista nomes como Coronel David, Márcio Fernandes, Renato Câmara, Paulo Corrêa, Rafael Tavares, Ana Portela, Sargento Prates, Daverson Matos, Sargento Betânia, Mariana Amaral, Zé Teixeira, Lucas de Lima, André Salineiro e Vivi Tobias, formando um pelotão com alto potencial de voto e forte estrutura de campanha.

A situação de Rafael Tavares, no entanto, é um ponto sensível. Condenado em segunda instância, ele está inelegível no momento. Conforme apuração do Correio do Pantanal, Reinaldo Azambuja foi taxativo nos bastidores: se até as convenções Tavares permanecer inelegível ou ainda com risco jurídico relevante, o PL não lhe dará legenda. Candidatura sob judice está fora de cogitação, reafirmou o ex-governador a uma fonte da reportagem.

Nesse cenário, a escolha de João Henrique por deixar o PL e apostar tudo em uma candidatura majoritária pelo Novo é vista como um movimento de alta exposição e baixíssima segurança. Se conseguir capitalizar o desgaste de parte da opinião pública com o sistema político tradicional, pode se firmar como voz independente na direita sul-mato-grossense. Se fracassar, porém, arrisca perder exatamente o que mais construiu até aqui: relevância e poder de pressão sobre os temas que abraçou, como a Cassems e o combate a privilégios.