Sigla ligada ao Diário do Centro do Mundo aparece em mensagens de “sicário” sobre divisão de R$ 1 milhão mensais

A Polícia Federal investiga a suspeita de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e apontado como chefe de organização criminosa, tenha autorizado repasses mensais para um veículo de comunicação de esquerda e profissionais ligados a ele, em troca de blindagem jornalística e conteúdos favoráveis. A apuração parte de mensagens trocadas entre o banqueiro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, reproduzidas na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a prisão de ambos na nova fase da Operação Compliance Zero.
Em um dos diálogos, Mourão detalha como dividiria cerca de R$ 1 milhão por mês que, segundo ele, recebia para atuar em favor de Vorcaro. Ele menciona repasses a uma “turma”, incluindo “o DCM e mais dois editores”, afirmando que “400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal”. A conversa é anterior à primeira prisão do banqueiro, em novembro.
Investigadores ouvidos pela imprensa indicam que a sigla se referiria ao site Diário do Centro do Mundo, blog de corte progressista e alinhado ao governo Lula. Oficialmente, porém, a decisão judicial apenas registra “DCM”, sem citar o nome completo do portal, sua razão social ou integrantes da equipe. Em nota, o veículo nega qualquer relação com os fatos apurados, afirma que “o DCM não recebeu recursos, pagamentos ou qualquer benefício das pessoas investigadas na operação” e sustenta que tem publicado reportagens críticas a Vorcaro, o que, na sua leitura, afastaria a hipótese de financiamento.
Para o site, “qualquer tentativa de associar a sigla mencionada na decisão judicial ao Diário do Centro do Mundo constitui interpretação indevida do documento”. Já a defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário tem colaborado com as autoridades, nega obstrução das investigações e rejeita a ideia de interferência na atuação da Justiça.





