Relatório aponta rotina assistida, boa condição clínica e intensa atividade política do ex-Presidente

O ex-Presidente Jair Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro, média de quase quatro por dia. A informação consta em relatório da direção do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, e foi usada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, para negar o pedido de prisão domiciliar humanitária.
A perícia reconhece múltiplas doenças crônicas – hipertensão, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico –, mas conclui que “não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”, apesar do “quadro clínico de alta complexidade”. O laudo descreve Bolsonaro em bom estado geral, lúcido, orientado e com memória preservada, e registra melhora de cerca de 80% no sono após uso de CPAP.
O documento lista ainda 33 caminhadas, 13 sessões de fisioterapia com profissional particular, 36 visitas em 29 dias e atendimentos de advogados, capelania e do médico particular, Dr. Brasil Caiado. Esposa, filhos, filha e enteada também têm acesso sem necessidade de novas autorizações. Moraes destacou o “número excessivo” de visitas de deputados, senadores, governadores e aliados – entre eles, Tarcísio de Freitas – como prova de preservação da condição física, mental e da intensa atividade política do ex-Presidente.
O relatório descreve a rotina: Bolsonaro dorme por volta das 22h, acorda às 5h, levanta às 8h, lê pela manhã (com autorização para abater pena com leitura), descansa após o almoço, assiste a programas esportivos à tarde, conversa com o policial de guarda e, no fim do dia, caminha cerca de 1 km na área comum. A alimentação é classificada como pobre em frutas, verduras e hortaliças, com consumo frequente de ultraprocessados e açúcares, mas a perícia afirma que o ambiente prisional pode oferecer dieta fracionada e acompanhamento adequado.
Embora o batalhão não tenha ambulatório próprio, há médico designado pela Secretaria de Saúde do DF, unidade avançada do SAMU com enfermeiro 24 horas e possibilidade de atendimento no Centro de Internação e Reeducação, a 3 km. Diante disso, Moraes concluiu que “as condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, as necessidades do condenado” e que não se comprovou a impossibilidade de tratamento no cárcere.
O Ministro também mencionou episódios anteriores de descumprimento de medidas cautelares e tentativa de fuga para reforçar a manutenção do regime fechado. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e segue articulando politicamente de dentro da Papudinha, escrevendo cartas e prometendo divulgar, em breve, a lista de pré-candidatos do PL ao Senado em cada Estado.





