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Zema renuncia ao governo de MG, mira Planalto e dispara: ‘Brasil está sendo destruído por esse governo’

Ex-governador do Novo entrega cargo a Mateus Simões, critica Lula e diz que problema do País é “sobra de ladrão”, não falta de recursos

Zema e o novo governador de MG, Mateus Simões Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG
Zema e o novo governador de MG, Mateus Simões Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

Romeu Zema (Novo) renunciou neste domingo (22) ao governo de Minas Gerais e passou o comando do Estado ao vice, Mateus Simões (PSD), em cerimônia na Assembleia Legislativa. Em tom claramente eleitoral, o agora ex-governador, que pretende disputar a Presidência da República, usou o discurso para criticar o governo Lula (PT) e o sistema político que, segundo ele, vem destruindo o País.

Ao relembrar sua gestão desde 2019, Zema afirmou que pretende repetir em nível nacional o que fez em Minas. “Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês”, atacou.

Na sequência, endureceu o tom contra o Planalto: “O Brasil está sendo destruído por esse governo que está lá em Brasília, o Brasil está sendo destruído pelo mesmo sistema que destruiu Minas Gerais. Mas vou dizer aqui uma coisa para vocês: nós não somos um País fracassado, nós somos, sim, um País roubado. O problema do Brasil não é falta de recursos, é sobra de ladrão”.

Zema afirmou que tem percorrido o País e ouvido um sentimento claro nas ruas: “Ele só quer um país que seja dele outra vez e não mais o Brasil dos intocáveis. Esse país é possível, porque no Brasil nunca faltou gente disposta a fazer a coisa certa”. E concluiu o discurso reforçando o recado ao governo federal: “O que faltou foi, sim, respeito do governo com a nossa gente. Foi por isso que nós começamos a mudar em Minas. E agora chegou a hora de mudar o Brasil todo”.

Embora se apresente como pré-candidato à Presidência, Zema é ventilado nos bastidores como possível vice em alguma chapa do campo da direita, como a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hipótese que ele nega publicamente.

Mateus Simões assume, elogia Zema e critica governo federal

Empossado governador, Mateus Simões agradeceu a Zema e prometeu dar sequência à gestão iniciada pelo correligionário. “Ao longo dessa jornada, eu poderei entregar muitas das obras e programas que o governador Romeu Zema iniciou, mas quero ir além ao lado dos meus deputados”, afirmou, sob a presença do presidente nacional do PSD e secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab.

Simões também mirou o governo federal ao citar a ponte sobre o Rio Grande, hoje interditada por fissuras em um pilar. Segundo ele, a obra “não tem dono, aparentemente”: “O rio é federal, mas a União diz que a ponte não é dela. Minas diz que não foi Minas que construiu. São Paulo também diz que não foi São Paulo que construiu, apesar de Minas e São Paulo terem estradas que levam até a ponte. A ponte está com fissuras num pilar, teve de ser interditada e o problema parece que não é de ninguém”.

Ele informou que a recuperação está sendo custeada por Minas e São Paulo e ironizou a ausência da União: “A ponte já está sendo reformada com dinheiro de Minas Gerais, e eu vou mandar um boleto depois para o Tarcísio, viu Kassab? Ele tem dinheiro para ajudar. Para o governo federal não vou mandar, porque acho que eles não ajudariam mesmo”.

Pré-candidato ao Palácio Tiradentes, Simões ainda enfrenta dificuldades nas pesquisas. Levantamento Real Time Big Data divulgado em 13 de março mostra o senador Cleitinho (Republicanos) na liderança em todos os cenários, com 30% a 40% das intenções de voto, enquanto o novo governador oscila entre 9% e 19%.