Governador de Minas acusa “grupo intocável” na Corte e diz que quem se cala “concorda” com o que está acontecendo

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi ao Senado nesta segunda-feira (9) para protocolar um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O documento também é assinado pelo presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, e por deputados e senadores da sigla, e se soma a outros 65 processos já existentes contra Moraes no Congresso.
Zema adotou tom duro contra a cúpula do Judiciário, afirmando que parte dos ministros se comporta como “intocável” e que a Corte perdeu credibilidade ao agir em causa própria.
– “É uma Corte que hoje não tem moral nenhuma para julgar nada. Não vejo Moraes e Toffoli com moral nenhuma para dar nenhuma decisão. São pessoas que estão ocupando cargo e seu tempo com interesse pessoal. Não são servidores públicos. (…) É muito ruim. Nós temos um pequeno grupo que se julga intocável, capaz de fazer de tudo e ficar imune. Não é porque alguém julga que não pode ser julgado” – criticou.
O governador também cobrou um posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lembrando o histórico de corrupção do partido em Minas.
– “O que me motivou a ser candidato em 2018 foi a roubalheira e a incompetência do PT, que destruiu Minas Gerais. E agora estamos aí assistindo novamente algo semelhante, e cadê o posicionamento do presidente também? Não vi. E quem está calado, na minha opinião, é porque está concordando; quem está omisso é porque parece que está achando que tudo que está ocorrendo é normal. E não é” – afirmou, em tom de pré-candidato ao Planalto.
Zema ainda mirou seus ataques em colegas de Corte, na OAB e em estudantes de Direito, criticando a omissão diante do que chamou de “aberrações”.
– “Esse pessoal tão ativo, assistindo essas aberrações nesses últimos dias, e todo mundo calado. Mas ainda bem que nós aqui do partido Novo não temos o rabo preso com ninguém, estamos aqui porque sabemos que o que foi cometido é gravíssimo e merece ser apurado.”
Para o governador, a crise afeta a imagem externa do país e mina a confiança nas instituições.
– “Isso é pelo bem do Brasil, é pelo bem das instituições. Na transparência internacional, com esses últimos fatos, o que tem ocorrido, o Brasil só tem perdido posições. Isso para nós brasileiros é muito ruim. Nós temos um pequeno grupo que se julga intocável, que se julga capaz de fazer de tudo e ficar imune. E não é porque alguém julga que não pode ser julgado. Precisa sim.”
Zema deve deixar o governo mineiro no fim de março para se dedicar à campanha presidencial de outubro, levando para o debate nacional a bandeira do enfrentamento ao ativismo judicial e ao alinhamento silencioso do governo Lula com o STF.





