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Zanin assume relatoria de pedido para abrir CPI do Banco Master e aumenta pressão sobre Câmara

Ministro entra no caso após Toffoli alegar suspeição em investigação sobre relação entre Master e BRB

Ministro Cristiano Zanin, do STF Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF
Ministro Cristiano Zanin, do STF Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

O ministro Cristiano Zanin, do STF, passou a ser o novo relator do mandado de segurança que cobra a abertura de uma CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados. Ele foi sorteado para o caso após Dias Toffoli se declarar suspeito e abandonar a relatoria da ação, em meio às sucessivas revelações sobre a proximidade de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro e eventos milionários patrocinados pelo Master.

O pedido de instalação da CPI foi apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A proposta é criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara para investigar supostas irregularidades financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), relação que já levantou desconfianças sobre favorecimentos e uso político de instituições financeiras.

No mandado de segurança enviado ao Supremo, Rollemberg afirma que seu requerimento de CPI reúne 201 assinaturas – bem acima das 171 exigidas pelo regimento – mas segue travado porque o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não fez a leitura do pedido em plenário, passo essencial para que o colegiado seja oficialmente instalado.

Para o parlamentar, essa demora caracteriza manobra para impedir a apuração:

– “Há postergação injustificada do exercício do direito público subjetivo do impetrante e dos demais signatários do requerimento de instalação de CPI para investigar as fraudes ocorridas” – escreveu.

Com Zanin na relatoria, o STF volta a ter papel direto na disputa sobre a CPI do Master, em um momento em que o tribunal já é acusado de blindar interesses ligados ao sistema financeiro e ao próprio círculo de ministros. A decisão do novo relator poderá obrigar a Câmara a tirar o pedido da gaveta e expor, em detalhes, as relações entre o Banco Master, o BRB e o establishment político de Brasília.