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Valdemar mantém Tereza Cristina como favorita para vice de Flávio, mas nordeste lulista trava federação

Aliança entre PP e União Brasil, ainda pendente de apoio formal, pode impedir indicação da sul-mato-grossense

Tereza Cristina - Foto: Agência Senado
Tereza Cristina – Foto: Agência Senado

A senadora Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul, segue como um dos nomes mais fortes para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) como vice, articulada no campo da direita. Porém, a indicação enfrenta um obstáculo político relevante: a posição da federação formada por PP e União Brasil, onde não faltam lideranças alinhadas ao ex-presidente Lula no nordeste.

Dentro da federação, Tereza não enfrenta adversários diretos e, em tese, teria sua escolha aprovada. O problema está justamente nas conexões de caciques do PP e do União com o petismo, sobretudo em estados nordestinos que dependem fortemente da máquina federal e tendem a resistir a um apoio formal a Flávio Bolsonaro.

Hoje, a federação ainda não decidiu se irá declarar apoio oficial ao senador do PL ou se optará por liberar seus filiados para seguir o candidato de preferência em cada estado. Essa indefinição é estratégica: no nordeste, boa parte da estrutura de PP e União Brasil flerta com Lula, o que torna mais difícil um alinhamento nacional em torno de um projeto claramente oposicionista ao governo petista.

Lideranças avaliam, portanto, a possibilidade de liberar os filiados, solução que preservaria palanques regionais atrelados ao Planalto. Se esse caminho prevalecer, Tereza Cristina ficará automaticamente impedida de assumir a vice, já que a composição de chapa exigiria uma posição institucional mais coesa da federação.

No tabuleiro da vice, o principal concorrente da sul-mato-grossense é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), nome visto como forte pela relevância eleitoral do estado. Ainda assim, Tereza conta com a simpatia de importantes quadros da direita, que enxergam nela uma liderança conservadora firme, com experiência no Executivo e no Parlamento, além de trânsito no agro.

Entre seus defensores está o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que nesta semana voltou a elogiar publicamente o carisma e a capacidade política da senadora. Questionado sobre quem considera o vice ideal, Valdemar foi direto ao apontar Tereza como sua preferida, embora tenha ressaltado que a palavra final caberá a Flávio Bolsonaro.

Enquanto a federação PP-União Brasil hesita, pressionada pelo peso de Lula no nordeste, a direita observa o impasse: ou consolida uma chapa com identidade clara de oposição, com Tereza ou Zema na vice, ou continuará refém de acordos híbridos que tentam conciliar, no mesmo pacote, bolsonismo e lulismo.